Foi por volta de 1820 que aconteceram os primeiros registros impressos da história do Brasil, após o período da Independência. O Rio Grande do Norte passou muito tempo antes de ter um jornal; foi somente no ano de 1832 que lançou o periódico chamado “O Natalense” circulando por 5 anos na capital, até o ano de 1837.
Francisco Duarte Guimarães, professor de comunicação da UFRN, cita a criação do periódico como um marco para a história da comunicação no Estado: “O Natalense é um marco muito importante, pois foi criado por um padre da Igreja Católica, Francisco de Brito Guerra, ao qual foi nomeado senador do império. O padre Guerra lançou o jornal, mas ele não era impresso aqui no RN, e sim em estados vizinhos por não ter uma tipografia aqui no Estado”.
O jornal, segundo conta a história, era do tamanho de uma folha A4, em sua estrutura tinham colunas e feitos apenas em tipografias, ou seja, somente letras. “O padre se juntou com mais dois empresários e compraram uma tipografia. Instalaram onde hoje se localiza o Beco da Lama, na época chamava Rua do Meio, imprimindo o jornal até o seu encerramento – ao qual não se tem informações da causa do fechamento do jornal”, conta o professor Duarte.
Ainda segundo as pesquisas, após o fechamento do primeiro jornal, outros surgiram, mas eram de pequeno alcance e duração, muitas vezes utilizados como propagador de ideais políticos da época. Em 1º de julho de 1889, foi fundado o jornal “A República”, idealizado pelo então governador Pedro Velho de Albuquerque Maranhão. O pesquisador lembra que, no dia 15 de novembro daquele ano, foi publicada uma edição especial: “Foi quando Pedro Velho publicou no jornal um anúncio de que chegou enfim a República e o fim do Império. Esse jornal publicava os primeiros atos do governo”. A República sobreviveu por quase 100 anos e foi fechada em 1987, durante o governo de Geraldo Melo. Chegou a ser reaberto durante o governo Wilma de Faria, entre 2002 e 2010, com outro formato e com a publicação do Diário Oficial.
DIÁRIO DE NATAL
Em 1893, uma primeira versão do “Diário de Natal” começou a circular na cidade, funcionava na rua Frei Miguelinho. “Esse jornal teve a glória de ser o primeiro jornal diário do RN”, relembra Duarte. Em outro momento, uma segunda versão, fundada pelo Cel. Elias Souto, também circulou diariamente em diversas cidades do Rio Grande do Norte. Só em 1939 teve início a história de “O Diário”, que posteriormente iria se transformar em “Diário de Natal” e depois dando origem também a “O Poti”, fundado por jornalistas que trabalharam no República, com intuito de publicar e defender as nações democráticas contra as nações do eixo, devido ao período de guerra vivido. Dentre os fundadores estava Djalma Maranhão, que no futuro se tornaria Prefeito de Natal. Mais adiante, o jornal foi comprado por Rui Moreira Alves – que também era diretor do jornal “A República”-, onde modernizou os equipamentos de impressão e abriu a editora “Diário”, no bairro da Ribeira. Após isso, o jornal foi novamente vendido para Assis Chateaubriand. Em 1947, o jornal passa a se chamar “Diário de Natal” com a linha de valorização da cultura. A partir de 1958, já nas mãos de Luís Maria Alves, a empresa passou por uma reorganização e chegou a ser o maior jornal do Estado.
TRIBUNA DO NORTE
Em 1950, a Tribuna do Norte circulou pela primeira vez. A ideia de Aluízio Alves era lançar o jornal em 19 de março, dia de São José – padroeiro de sua cidade, Angicos-, mas devido a questões operacionais, isso só foi possível no dia 24 de março. Um jornal que já apresentava anúncios, diversidade de temas e nomes importantes do jornalismo naquela época estiveram entre os colaboradores.
JORNAL DE HOJE
O Jornal de Hoje marcou época pelo pluralismo e liberdade editorial. Foram 18 anos, com publicações diárias na capital e região metropolitana, com mais de 5.000 jornais datados de outubro de 1997 a 30 de abril de 2015, quando encerrou suas atividades. Paralelo ao Jornal de Hoje, que era vespertino, o jornalista Marcos Aurélio de Sá também pôs em circulação o JH Primeira Edição, matutino com distribuição gratuita que também marcou época no jornalismo potiguar.
INTERIOR
Em Mossoró, o jornal “O Mossoroense” foi fundado no dia 17 de outubro de 1872, sendo considerado o terceiro jornal mais antigo do Brasil e, por muito tempo, foi o único jornal da cidade de Mossoró. Ao longo destes 151 anos, o jornal noticiou fatos que marcaram a história como o ataque do bando de Lampião a Mossoró, em 1927, além da exclusiva entrevista com o cangaceiro Jararaca. O Mossoroense foi pioneiro também na atuação no mundo digital, há 22 anos, quando a internet ainda engatinhava no Brasil. O site de O Mossoroense foi ao ar no ano de 1995, o primeiro do Rio Grande do Norte a entrar na web, e hoje é acessado por leitores em mais de 50 países. E, desde 1º de janeiro de 2016, o jornal está exclusivamente na internet. Mossoró também foi vanguarda na publicação de jornal impresso. Em determinado momento, havia quatro jornais diários circulando na cidade: O Mossoroense, Gazeta do Oeste, De Fato e Correio da Tarde.

