Durante a sessão de leitura da mensagem anual do Prefeito Ivanildinho, na Câmara Municipal de Santa Cruz, chamou atenção o protesto de moradores da cidade do lado de fora do prédio.
O grupo carregava cartazes e baldes vazios para reclamar da irregularidade do abastecimento de água e cobrar também ações e respostas do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) a respeito da situação que já virou rotina. Em vídeos que chegaram à equipe do Diário do RN, alguns relataram que há mais de 30 dias não tem água em casa. “Pagamos sem a água vir. Nós temos que ficar isentos dos papéis, eles (ela aponta para a Câmara Municipal) consomem, eles têm que pagar, nós não” desabafa uma mulher revoltada com a situação.
Ex-morador do município, Cacá Medeiros, se solidarizou com a luta e juntou-se ao grupo. Ele lembra que o problema não é de hoje: “Morei aqui de 2010 a 2012, desde aquele tempo faltava água em Santa Cruz, a água daqui é privatizada. A conta vem, mas a água não vem”.
O serviço de abastecimento de água de Santa Cruz é feito através do SAAE, Serviço Autônomo de Água e Esgoto que tem características jurídicas próprias, para explorar os serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto em todo território municipal.
O SAAE afirma que a falta de abastecimento contínuo no município, de Santa Cruz se dá pela quantidade insuficiente advinda da adutora Monsenhor Expedito, quantidade essa que é apontada como insatisfatória para atender simultaneamente a demanda da população, por isso, rodízios de abastecimentos são feitos de 10 a 15 dias. “A vazão que chega da adutora no nosso reservatório é de 235m3 e temos quatro setores de abastecimento de água na cidade, cada com um conjunto motor bomba com vazão média de 120m3, nesse caso a água que chega só podemos funcionar 02 e 02 ficam parados esperando o abastecimento dos setores em funcionamento terminar. Todos recebem água com suficiência para poder iniciar os outros dois, assim o abastecimento é realizado em escala de rodízio entre os setores, situação obrigada pela quantidade de água recebida”, informou o SAAE de Santa Cruz.
A empresa informou também que cada setor é dividido em áreas de baixa e alta pressão, que é a distribuição através de manobras de registro acompanhada 24 horas por dia, onde, mesmo assim, dura um período de 10 a 15 dias para que todos recebam água, conforme a continuidade do funcionamento da água recebida pela adutora.
O SAAE de Santa Cruz, alega que o problema só será resolvido com a ampliação do sistema da adutora Monsenhor Expedito e com a contratação da nova adutora da Lagoa do Piquiri, a futura agreste potiguar.
“O volume que a CAERN nos manda não é o suficiente para abastecer toda cidade, por isso trabalhamos em forma de rodízio. Entramos com uma ação contra a CAERN pedindo mais água para Santa Cruz, até o momento não fomos chamados nem para uma conciliação”, finaliza.
CONFLITOS ENTRE SAAE E CAERN
A CAERN (Companhia de Água e Esgoto do Rio Grande do Norte) salientou que não opera na cidade de Santa Cruz, mas informou que Santa Cruz recebe 20% de toda a água do sistema adutor Monsenhor Expedito: “Temos no sistema 30 municípios e 280 comunidades rurais e todos os outros municípios são operados pela Caern. Percebe-se, portanto, que estamos indo além do que poderíamos no que tange à disponibilidade de água. Ainda frisamos que esse sistema é abastecido pela Lagoa do Bonfim, que não permite nenhuma possibilidade de aumento na outorga de água”, alega Roberto Linhares, diretor-presidente da CAERN, que também informou mais uma problemática que também é uma das queixas dos moradores: “Somente algo próximo de 30% dos ramais da cidade contam com hidrômetro e isso dificulta em muito a questão da distribuição de água na cidade, já que quem não paga, usa desmedidamente. A Caern envia 245.000 litros de água por hora para Santa Cruz. Num total de 5.880.000 litros por dia. Isso dá 145,92 litros por habitante/dia. A ONU orienta um mínimo de 110 litros/habitante/dia”, pontua Roberto Linhares, sobre a quantidade de água fornecida.
Em resposta a esse conflito iminente, a SAAE de Santa Cruz informou que está fazendo uma implementação em massa dos hidrômetros e estipula um prazo de conclusão de até 3 anos.

