O Conselho Federal de Medicina é uma autarquia da administração pública federal, cuja principal fonte de arrecadação são anuidades pagas pelos médicos aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs).
Atualmente, o CFM recebe 20% do valor das anuidades pagas aos Conselhos Regionais. São esses recursos que pagam, entre outras coisas, as despesas de viagens de conselheiros, tema de reportagem do Diário do RN, publicada nesta terça-feira (30), com base em informações disponíveis no Portal da Transparência.
Os documentos mostram viagens internacionais realizadas pelo atual Conselheiro e Vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Jeancarlo Cavalcante, a destinos cobiçados – e caros – como Acapulco (México), Bali (Indonésia) e Dubai (Emirados Árabes). Foram quase 20 países visitados, em praticamente todos os continentes, em intervalo de 5 anos, que custaram mais de R$ 1 milhão aos cofres do Conselho Federal de Medicina, somente em passagens aéreas.
Em nota dirigida ao Diário do RN, o conselheiro Jeancarlo afirma que houve deturpação dos valores, embora estes sejam exatamente os mesmos números disponíveis para a consulta pública no próprio Portal da Transparência do CFM.
O conselheiro afirma ainda que “todas as contas são auditadas e foram aprovadas pelo Tribunal de Contas da União”, mas a consulta ao Portal da Transparência mostra que as últimas informações são do ano de 2011.
Apesar de falar em distorção dos valores, Jeancarlo não aponta essas distorções. Pelo contrário, em sua nota, afirma que os valores que foram pagos por suas viagens, seriam pagos para qualquer outro conselheiro: “Os valores seriam os mesmo para qualquer Conselheiro que exerça as mesmas funções. O interesse em deturpar tais informações só mostra desconhecimento e falta de entendimento sobre o trabalho do CFM”. Jeancarlo reafirma o que o jornal disse e entra em contradição quando volta a falar em deturpação das informações quando confirma e não nega as viagens e os valores pagos por elas.
Em outro trecho de sua nota, Jeancarlo Cavalcante diz lamentar o uso do tema pela chapa adversária, e ataca seus colegas médicos: “É surpreendente que médicos sérios recorram a este tipo de expediente na tentativa de tumultuar um processo democrático e tão relevante para nossa categoria”.
Em nenhum trecho de sua nota, Jeancarlo tenta justificar as viagens, os custos, a necessidade ou mesmo a importância da representatividade de seu cargo. Talvez pelo fato de que não deve ser comum alguém gastar mais de R$ 1 milhão de reais para percorrer cerca de 20 países, visitar os destinos mais lindos e cobiçados do Planeta, sem precisar pagar sequer um real de seu próprio bolso.
Já que o conselheiro Jeancarlo afirma que o processo de escolha dos novos conselheiros do CFM é “tão relevante para nossa categoria”, o atual representante do RN poderia explicar melhor para seus colegas o tour internacional pago com o dinheiro das mensalidades deles.




