O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da reunião da força-tarefa do G20 para o pré-lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, nesta quarta-feira, 24 de julho, no Rio de Janeiro. A iniciativa, proposta pela Presidência brasileira do grupo, tem como objetivo estabelecer uma união internacional para obter recursos e conhecimentos para a implementação de políticas públicas e tecnologias sociais comprovadamente eficazes para a erradicação da fome e da pobreza no mundo.
Lula destacou que a decisão do Governo Federal de colocar os pobres no orçamento já resultou na retirada de 24,4 milhões de pessoas da condição de insegurança alimentar severa em 2023. Considerando que ainda há mais de 8 milhões de brasileiros nessa situação, afirmou que acabar com a fome no Brasil, como em 2014, é o compromisso mais urgente de seu governo. “Meu amigo, diretor-geral da FAO [Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, Qu Dongyu], pode ir se preparando para anunciar em breve, ainda no meu mandato, que o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome”, declarou.
Na avaliação do presidente, o mundo necessita de soluções duradouras para o problema da fome. Por isso, é fundamental que os países pensem e atuem juntos. “A fome não resulta apenas de fatores externos. Ela decorre, sobretudo, de escolhas políticas. A Aliança representa uma estratégia de conquista da cidadania. É gratificante ver aqui hoje ministros de 30 países membros e convidados ao lado de organizações internacionais e bancos de desenvolvimento. Nossa melhor ferramenta será o compartilhamento de políticas públicas efetivas”, disse.
Funcionamento
A Aliança será gerida com base em um secretariado alojado nas sedes da FAO em Roma, na Itália, e em Brasília (DF). De acordo com o presidente, a estrutura será pequena, eficiente e provisória, formada por pessoal especializado e funcionará até 2030, quando será desativada. Metade dos seus custos serão cobertos pelo Brasil. A iniciativa não criará fundos novos. Recursos globais e regionais que já existem, mas estão dispersos, serão direcionados à Aliança. “Recebemos com satisfação os anúncios feitos hoje pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pelo Banco Africano de Desenvolvimento. Ambas as instituições estabelecerão um mecanismo financeiro inovador para o uso do capital híbrido dos Direitos Especiais de Saque em apoio à Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza”, assinalou.
Mapa da fome
No mesmo dia da Reunião Ministerial da Força-Tarefa do G20 para a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, ocorreu o lançamento da edição 2024 do Relatório das Nações Unidas sobre o Estado da Insegurança Alimentar Mundial (SOFI 2024), que mostra que a insegurança alimentar severa caiu 85% no Brasil em 2023. Em números absolutos, 14,7 milhões deixaram de passar fome no país. A insegurança alimentar severa, que afligia 17,2 milhões de brasileiros em 2022, caiu para 2,5 milhões. Percentualmente, a queda foi de 8% para 1,2% da população.
O relatório produzido conjuntamente por agências da ONU — como FAO, FIDA, UNICEF, PMA e OMS — atualiza anualmente o “Mapa da Fome”, como o documento é mais conhecido no país. Durante discurso na reunião da força-tarefa, o presidente Lula classificou como “estarrecedores” os dados divulgados sobre o estado da insegurança alimentar no mundo. “A pobreza extrema aumentou pela primeira vez em décadas. O número de pessoas passando fome ao redor do planeta aumentou em mais de 152 milhões desde 2019. Isso significa que 9% da população mundial (733 milhões de pessoas) estão subnutridas. O problema é especialmente grave na África e na Ásia, mas ele também persiste em partes da América Latina”, disse.
Lula apontou que o mundo produz alimentos mais do que suficiente para erradicar a fome, mas falta criar condições de acesso aos alimentos. “Enquanto isso, os gastos com armamentos subiram 7% no último ano, chegando a 2,4 trilhões de dólares. Inverter essa lógica é um imperativo moral, de justiça social, mas também essencial para o desenvolvimento sustentável”, completou.
O presidente indicou, ainda, outros temas prioritários da Presidência brasileira do G20: a promoção de uma governança global mais efetiva, na qual o Sul Global esteja adequadamente representado; a taxação dos super-ricos; a questão do endividamento dos países mais pobres e o estabelecimento de uma transição energética justa.
Fonte: Governo Federal

