O número de inadimplentes no Brasil em dezembro aumentou, o volume de consumidores com contas atrasadas cresceu 8,79%, se comparado com o mesmo período do ano anterior. Fenômeno similar pode ser observado na capital potiguar, onde o número de inadimplentes de Natal cresceu 9,83% em dezembro de 2022, em relação a dezembro de 2021. O dado também ficou acima da média da região Nordeste (7,17%).
De acordo com os dados do SPC Brasil, mulheres e homens da faixa etária de 30 a 39 anos são as que mais possuem dívidas em atraso em Natal. Em dezembro de 2022, cada consumidor negativado da cidade devia, em média, R$ 4.115,68 na soma de todas as dívidas. No Brasil, no mesmo período, a dívida média foi de R$ 3.812,00 na soma de todas as dívidas.
Para André Macedo, diretor financeiro da CDL Natal, o crescimento na inadimplência, constatado no levantamento, é consequência de um cenário complexo que une subida da inflação, queda no poder de compra e um aumento no endividamento das famílias, em especial as com menores rendimentos. “Essas famílias se endividam, significativamente, para poder ter níveis mínimos de consumo ou um padrão de vida mínimo de sustentação. Para que possam ter alimentos, moradia, educação, saúde, enfim tudo. É um alerta de um cenário que é preocupante. Se as famílias continuarem endividadas, elas vão consumir menos”, explica o diretor, que afirmou que é preciso que hajam iniciativas para que esse endividamento não se torne inadimplência.
Ele ainda complementa que a política econômica do Governo Federal precisa ser tratada com seriedade, para que as contas públicas estejam equilibradas e o país não volte a ter uma disparada nas taxas de juros, pois a alta nesse indicador impacta significativamente as inadimplências. “Precisamos voltar um caminho de inflação baixa, de taxas de juros baixas, para que as famílias endividadas possam seguir com seus pagamentos e a gente possa ver essa curva de inadimplência cair um pouco. Para que com o passar do tempo esse endividamento possa ir diminuindo ou que, pelo menos, fique em margens controláveis”, finaliza André Macedo.
Os dados ainda mostram que 29,26% dos consumidores da cidade tinham dívidas no valor de até R$ 500, percentual que chega a 44,05% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000. O tempo médio de atraso dos devedores negativados de Natal é igual a 26,9 meses, sendo que 36,66% dos devedores possuem tempo de inadimplência de 1 a 3 anos. E o setor com participação mais expressiva do número de dívidas foi o de Bancos, com 73,39% do total de dívidas.

