Por Renata Carvalho
“No Rio Grande do Norte, a gente tem uma média histórica, mais ou menos, entre 15 e 20 amputações de pênis por ano”, a afirmação é do urologista Pedro Sales, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), seccional Rio Grande do Norte e médico do Hospital Universitário Onofre Lopes. No Brasil, a cada ano, uma média de 600 homens têm o pênis amputado em decorrência deste tipo de câncer, segundo dados do Ministério da Saúde.
Ainda segundo o Ministério da Saúde, em um período de 10 anos compreendido entre 2012 e 2022, foram registrados no país 21.766 casos de câncer de pênis. De 2013 a 2023, foram 6.456 amputações do órgão masculino, com média anual de quase 600 amputações. A doença também provocou mais de 4 mil mortes no Brasil, de 2011 a 2021.
O chefe da Unidade de Transplante e do Serviço de Urologia do Huol-UFRN, José Hipólito, explica que esse é um tipo raro da doença: “É um tipo raro de câncer, com maior incidência em homens que têm 50 anos ou mais, embora possa atingir também os mais jovens. A doença está associada à má higiene íntima, à infecção pelo papiloma vírus humano (HPV) e a homens que não se submeteram à circuncisão – a remoção do prepúcio, pele que reveste a glande – a “cabeça” do pênis”.
A postectomia é o procedimento cirúrgico que retira o excesso de pele do prepúcio, tornando a limpeza da glande mais eficaz, combatendo, assim, a principal causa do câncer de pênis: as más condições de higiene. “A forma principal de combater o câncer de pênis é a higiene diária do órgão genital masculino. Homens que tem fimose, que não conseguem expor a glande, são candidatos a realizar a circuncisão para evitar problemas futuros”, alerta o profissional.
MUTIRÃO
Neste mês de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) intensificou a campanha de conscientização sobre o tema, ampliando os debates em todo o país. Esta é a 4ª edição da campanha, cujo tema bem-humorado alerta: “Cuide, você só tem um! ”.
O Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN) realizou no último sábado (24) um mutirão visando a prevenção do câncer de pênis, através da cirurgia de postectomia (cirurgia de fimose). A ação, direcionada a pacientes adultos e crianças, beneficiou dez pacientes com a cirurgia. Os pacientes chegam ao hospital por encaminhamento da Sesap, por meio da regulação.
SINAIS DE ALERTA
Ainda de acordo com o urologista José Hipólito, há alguns sinais de alerta que podem ser identificados: “Os principais sinais e sintomas do câncer de pênis são feridas e úlcera persistente.
Além desses sintomas, podem aparecer, também: tumoração na glande (cabeça do pênis); tumoração na pele que cobre a cabeça do pênis; tumoração no corpo do pênis; secreção branca (esmegma); aumento anormal do tecido da cabeça do pênis”.
Se houver algum dos sinais descritos acima, o especialista aponta que é preciso buscar atendimento médico. “O diagnóstico precoce do câncer de pênis é essencial para melhores resultados no tratamento da doença e evitar a amputação total do pênis, que traz consequências físicas, sexuais e psicológicas”, diz José Hipólito.
PREVENÇÃO E TRATAMENTO
A abordagem sobre os casos de câncer de pênis é difícil porque o tema ainda sofre muito tabu entre os homens. A prevenção é simples, o especialista afirma que a higiene é o fator fundamental e precisa ser ensinado desde cedo: “Para prevenir o câncer de pênis, é necessário fazer a limpeza diária do órgão com água e sabão, principalmente após as relações sexuais e a masturbação. É fundamental ensinar aos meninos desde cedo os hábitos de higiene íntima, que devem ser praticados todos os dias. A cirurgia de fimose é outro fator de prevenção. A operação é simples e rápida e não necessita de internação”.
O profissional também chama atenção para a importância do uso de preservativos: “A utilização do preservativo é imprescindível em qualquer relação sexual, já que a prática com diferentes parceiros sem o uso de camisinha aumenta o risco de desenvolver a doença. O preservativo diminui a chance de contágio de doenças sexualmente transmissíveis, como o vírus HPV, por exemplo”.
Os possíveis tratamentos variam de caso a caso, mas consistem na remoção cirúrgica da lesão ou tumor no pênis, radioterapia ou quimioterapia. A forma que o tratamento será desenvolvido varia de acordo com a extensão do tumor e precisa ser analisada pelo profissional habilitado.

