Por Emanuel Lacerda
O Rio Grande do Norte confirmou 130 casos de dengue no Estado. A informação é da Secretaria de Saúde Pública do RN (SESAP), por meio de um boletim epidemiológico, considerando as primeiras sete semanas de 2024. Além disso, três casos foram catalogados como grave. Até a finalização desta matéria, nenhum óbito foi registrado.
Nesta semana, 19 municípios do Estado deram início à campanha de vacinação contra a dengue. A ação, visa imunizar contra a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti conhecido popularmente como “Mosquito da Dengue”, inicialmente crianças e adolescentes entre 10 e 14.
Essa medida é uma forma garantir uma abordagem gradual e eficaz na imunização da população mais jovem.
O processo de vacinação ocorrerá de forma escalonada, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Sendo a fase inicial da campanha entre a segunda-feira (19) e a quarta-feira (21), destinada ao público de 10 a 11 anos.
A partir desta quinta-feira (22), adolescentes com idades entre 12 e 14 anos também poderão receber a vacina contra a dengue. Essa ampliação do público-alvo reforça o compromisso das autoridades de saúde em proteger a população contra a doença, especialmente os grupos mais vulneráveis. É importante informar que o medicamento não é indicado para gestantes, lactantes, menores de 4 anos, maiores de 60 anos e imunossuprimidos.
VACINA NÃO SUBSTITUI CUIDADOS
De acordo com a secretária de Saúde Pública do RN, Lyane Ramalho, a vacinação é uma ferramenta importante para a prevenção contra o vírus, mas não anula a importância de outros cuidados. “Temos que evitar o acúmulo de água em qualquer espaço, dar uma geral no ambiente diariamente, para evitar que o mosquito prolifere”, aconselhou Lyane Ramalho.
Ela lembrou ainda que 75% dos focos estão nas residências devido aos descuidos com água parada acumuladas em objetos como garrafas, sacos de lixo e vasos de plantas. “É muito importante também receber o agente de saúde, que é o trabalhador especializado no combate ao Aedes aegypti. Os números de casos estão crescendo, então para evitar que se chegue a um estado crítico é preciso o esforço de cada um”, explicou a secretária.
MEDICAMENTOS CONTRA INDICADOS EM CASOS DE DENGUE
Em entrevista ao Diário do RN, o biomédico e imunologista do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da UFRN, Leonardo Lima alertou sobre o uso de medicamentos em casos de sintomas da dengue.
“Existem algumas contradições para o uso de anti-inflamatórios em casos de dengue como Nimesulida e medicamentos não esteroidais como AAS. A dengue pode gerar uma redução do número de plaquetas dependendo do quadro, se for um caso que caminha para uma dengue grave, como uma dengue hemorrágica. Nesse caso, o paciente que usa esses medicamentos pode reduzir ainda mais a capacidade de agregação das plaquetas de forma coagulação, o que favorece, por exemplo, a ocorrência de sintomas graves, no caso de dengue hemorrágica”, explicou Leonardo Lima.
Além disso, ele reforçou a importância de procurar um médico para avaliar o caso individualmente e indicar a medicação mais apropriada para cada paciente.
Técnica baseada em inteligência artificial prevê surto de dengue com seis semanas de antecedência
Com base em inteligência artificial é possível saber se uma determinada região terá casos de dengue com até seis semanas de antecedência, antes da primeira pessoa adoecer. Essa é a proposta de uma ferramenta criada por pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS/UFRN) e do Centro de Zoonoses do município de Natal. Os resultados dessa ferramenta já foram publicados em um artigo científico na revista Scientific Reports do grupo Nature, periódico de reconhecimento internacional.
Os pesquisadores desenvolveram um método baseado em inteligência artificial que analisou diversas fontes de dados, como o depósito dos ovos dos mosquitos Aedes Aegypti em armadilhas que são distribuídas pela cidade, os casos confirmados e as internações hospitalares de pacientes que adoecem com dengue no município de Natal. Entre as informações coletadas estão os dados referentes a internações hospitalares e o número de casos confirmados. Esses cruzamentos de dados foram importantes para que a tecnologia baseada em inteligência artificial conseguisse aprender a prever surtos de dengue em um município com semanas de antecedência.
Para realizar o estudo, foram espalhadas armadilhas para coletar ovos, conhecidas como ovitrampa (que simulam um ambiente perfeito para a procriação do Aedes aegypti), nas quatro regiões de Natal, a cada 300m², formando uma malha de captura de mosquitos e ovos. “Essa técnica, conhecida como ovitrampa, foi implantada em Natal pelo ex diretor do Centro de Zoonoses de Natal, Alessandre Medeiros (in memorian). O Centro de Zoonoses de Natal é vinculado ao Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal. Cabe destacar, que esse modelo representa uma importante ferramenta e também uma grande inovação no combate à dengue não somente no Brasil, mas em todos os países que também sofrem com esse mesmo problema de saúde pública”, explicou Ricardo Valentim, diretor do LAIS e um dos pesquisadores envolvidos na pesquisa.
O trabalho foi publicado no Scientific Report, periódico do grupo Nature, um dos principais repositórios científicos do mundo, com o título em português “Inteligência computacional orientada a dados aplicada à previsão de surtos de dengue: um estudo de caso na escala da cidade de Natal, RN-Brasil”.

