De janeiro a novembro de 2023, foram notificados 3.294 casos de Dengue, Chikungunya e Zika, em Natal, segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação da SMS. O número representa uma redução de 82% nos casos de arboviroses registrados no município em comparação ao mesmo período de 2022. De janeiro a novembro deste ano, o documento aponta que as notificações de dengue representam o maior volume, cerca de 88,9%, seguida de chikungunya com 8,7% e a zika com 2,4% dos registros. O chefe da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), Jan Pierre Araújo, afirma que para autoridades municipais e estaduais, a preocupação está no aumento de variantes da Dengue, em função do período de chuvas de 2024.
“Em termos gerais tivemos menos casos do que no ano passado, mas nossa preocupação hoje é com o período chuvoso de 2024, com possibilidade de introdução de Dengue 3, que já foi detectado em outros estados brasileiros. Reforçamos que esse é o momento mais sensível. Porque nossas atitudes e cuidados no período pré-chuvoso serão cruciais para nortear a dinâmica da doença no ano que vem”, destaca Jan Pierre.
Quatro sorotipos da dengue circulam no Brasil, 1, 2, 3 e 4; a pessoa diagnosticada com a dengue só cria anticorpos (defesa) do sorotipo específico que contraiu, sendo assim, pode pegar dengue novamente se for um sorotipo diferente.
A preocupação com a tipagem 3 e 4 também se dá em função de grande parte da população não ter anticorpos para esses tipos da doença, principalmente crianças e adolescentes. O documento apresentado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa ainda que deve se considerar os casos inoportunos que serão inseridos no sistema e os casos de subnotificação, pois em Natal a cada 1 caso notificado em oportunidade, há oito que não foram notificados para alguma das arboviroses.
“As dengues 2 e 3 são mais virulentas, podem agravar mais o paciente, levando para um quadro de dengue grave. Já são mais de 15 anos sem circulação de Dengue 3 no Brasil. Isso é preocupante porque temos um grande número de pessoas, principalmente nessa faixa etária de 0 a 15 anos, que nunca tiveram contato com esse vírus”.
Jan Pierre Araújo explica que os maiores focos da dengue estão na zona oeste e zona norte de Natal, e destaca que é necessário que as autoridades e a população se unam para o combate. “Nosso principal problema está dentro dos imóveis. A colaboração social é o mais importante nesse momento. Manter depósitos de água limpos e fechados, não acumular lixo, evitar depósitos desnecessários. A política nacional de combate às arboviroses no Brasil já é consolidada. Tanto governo federal, estadual e municipal atuam juntos nas ações de comunicação e educação em saúde”.
Capital terá nova tecnologia no combate às arboviroses, em 2024
A partir de 2024, Natal deve implementar o Método Wolbachia, uma tecnologia que pode auxiliar no combate da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Na última semana, a equipe da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) apresentou o cenário epidemiológico da capital para a equipe do Ministério da Saúde, que também visitou as instalações municipais de controle vetorial, com o intuito de traçar estratégias de implementação do método no território.
“Essa é uma metodologia que já foi utilizada em outros municípios, como Niterói, por exemplo, e apresentou uma redução preliminar de 75% nos casos das doenças no território. Estamos empolgados que agora esse método possa ajudar a combater as arboviroses em Natal.”, ressaltou o secretário municipal de saúde, George Antunes.
Wolbachia é um microrganismo intracelular presente em cerca de 50% dos insetos, mas que não estava presente no Aedes aegypti. A tecnologia Wolbachia consiste em liberar na natureza mosquitos com a Wolbachia para que eles se reproduzam com os Aedes aegypti locais, estabelecendo assim uma população destes mosquitos, todos com Wolbachia e incapazes de desenvolver e transmitir o vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela.
“Quando presente no mosquito, o microrganismo impede que as arboviroses se desenvolvam, reduzindo a transmissão das doenças. Se um macho com a Wolbachia acasalar com uma fêmea que não possui o microorganismo, os ovos que dela não irão eclodir, já se a fêmea com Wolbachia acasalar com um macho sem o microorganismo, ou com um macho que o possua, toda sua prole vai nascer com a bactéria, e por consequência não conseguirão desenvolver as doenças, diminuindo assim a transmição das arboviroses para os humanos”, detalhou Jan Pierre Araújo, chefe da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ).

