O grupo suspeito de agredir e roubar o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, que morreu após se afastar de um ato em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), transmitiu o ataque ao vivo pelo TikTok. O crime ocorreu na madrugada de sábado (24), em Santos, no litoral de São Paulo. Segundo informações divulgadas pelo g1, nesta terça-feira (27), a transmissão foi acompanhada por dezenas de pessoas, enquanto os suspeitos ameaçavam e agrediam a vítima.
As imagens, gravadas pelos próprios suspeitos e transmitidas pela plataforma TikTok, mostram o momento em que Marcelo é ameaçado e obrigado a entregar seus pertences. Durante a abordagem, um dos agressores exige o celular da vítima e ameaça matá-la caso não obedeça. Em seguida, o engenheiro é atingido por um soco, cai no chão e fica desacordado.
Na gravação, um dos envolvidos chega a comentar sobre o estado da vítima após a agressão. Outras pessoas também aparecem participando da transmissão ao vivo, dividindo a tela com o responsável pela filmagem. O conteúdo passou a circular nas redes sociais e integra os elementos que podem auxiliar na investigação.
Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, realizada nas proximidades da sede do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP), na Avenida Conselheiro Nébias. Por volta das 3h, ele informou aos amigos que iria ao banheiro e se afastou do grupo.
Diante da demora para retornar, os colegas iniciaram buscas pela região e encontraram o engenheiro inconsciente, na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas, com sinais de violência.
Segundo a Prefeitura de Santos, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou a vítima à Santa Casa de Santos. Devido à gravidade dos ferimentos, Marcelo precisou ser intubado e permaneceu internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
No domingo (25), ele foi transferido para o Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista. O engenheiro apresentava traumatismo craniano grave e fraturas no crânio. Apesar dos esforços médicos, não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada na segunda-feira (26).
Polícia investiga imagens e motivação do crime
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que Marcelo foi abordado por diversos indivíduos, agredido e teve o celular e outros pertences roubados.
A ocorrência foi inicialmente registrada como roubo com resultado de lesão corporal grave na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos. A investigação está sob responsabilidade do 4º Distrito Policial do município.
Os investigadores analisam as imagens divulgadas nas redes sociais e procuram registros de câmeras de monitoramento da região para identificar os suspeitos e esclarecer as circunstâncias do ataque.
A motivação da agressão ainda não foi oficialmente esclarecida. Pessoas próximas à vítima e integrantes da Banda Esquerdantina levantaram a possibilidade de homofobia ou intolerância política, mas essas hipóteses ainda dependem de confirmação pelas autoridades.
Universidade lamenta morte do estudante
Marcelo era mestrando em Ecologia Marinha na Unifesp, instituição que divulgou uma nota de pesar e repúdio à violência.
“A gravidade do ocorrido exige a apuração rigorosa das circunstâncias e motivações da agressão, bem como a identificação e responsabilização dos envolvidos”, declarou a universidade.
A instituição informou ainda que acompanha o caso por meio da direção do Instituto do Mar, da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Políticas Afirmativas e da Reitoria, oferecendo apoio à família.
A Banda Esquerdantina também lamentou o ocorrido e cobrou a rápida identificação e punição dos responsáveis. O grupo manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Marcelo e repudiou atos de violência e discriminação.

