O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) sugeriu o envio de fuzileiros navais ao Brasil e defendeu que seu irmão, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), deixe o país caso seja derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, marcado para este domingo (25). As declarações foram feitas na sexta-feira (23), durante participação no podcast norte-americano Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista Steven Crowder.
A fala ocorreu quando um espectador perguntou se a família Bolsonaro tinha algum plano para ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro caso Flávio não fosse eleito. Eduardo respondeu, entre risos, que a solução seria mandar fuzileiros navais ao Brasil.
A declaração foi recebida com risadas pelos participantes do programa. Na sequência, Crowder comentou sobre uma eventual intervenção e mencionou a possibilidade de uma operação com helicópteros para retirar presos de estabelecimentos prisionais.
Apesar do tom de brincadeira da resposta inicial, Eduardo passou a tratar seriamente da possibilidade de derrota eleitoral do irmão e afirmou ser favorável à sua saída do Brasil.
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, declarou o ex-parlamentar.
Eduardo acusa Lula de ameaçar Flávio durante debate
Para justificar a posição, Eduardo Bolsonaro mencionou o debate presidencial realizado pela Band no último domingo (18), quando Lula e Flávio discutiram questões relacionadas às investigações envolvendo integrantes da família Bolsonaro.
Segundo Eduardo, o presidente teria ameaçado o senador ao mencionar a possibilidade de investigações após o encerramento de seu mandato parlamentar.
O ex-deputado afirmou que Lula teria dito que Flávio perderia a imunidade parlamentar caso não fosse reeleito senador e poderia passar a ser investigado. Eduardo interpretou a declaração como uma ameaça política contra o irmão.
A fala, entretanto, representa a interpretação do ex-parlamentar sobre o debate. A eventual abertura de investigações depende dos procedimentos legais e das autoridades competentes.
Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde 2025. O ex-deputado perdeu o mandato na Câmara dos Deputados em dezembro daquele ano, após ultrapassar o limite de faltas permitido pela legislação.
Ex-deputado questiona urnas eletrônicas sem apresentar provas
Durante a entrevista, Eduardo também voltou a questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Ele criticou a ausência de cédulas individuais impressas para uma recontagem manual dos votos e alegou que a população precisa confiar exclusivamente nos equipamentos eletrônicos.
O ex-deputado afirmou não ter como comprovar a ocorrência de fraude, mas sustentou que, em sua avaliação, também não seria possível demonstrar sua inexistência.
As declarações contrariam as informações oficiais divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que mantém mecanismos públicos de fiscalização, auditoria e verificação dos resultados.
De acordo com o TSE, cada urna eletrônica realiza a apuração dos votos registrados em sua seção e emite um Boletim de Urna (BU), documento que permite conferir a quantidade de votos recebidos por cada candidato. Os dados são disponibilizados publicamente e podem ser comparados com os resultados da totalização nacional.

