Por Elane Nascimento
As redes sociais se consolidaram como um dos principais espaços do debate político no Brasil. Ao mesmo tempo em que ampliaram a participação de diferentes vozes, também abriram espaço para discursos de ódio, ataques pessoais e campanhas de cancelamento direcionadas a quem manifesta opiniões públicas.
O jornalista, produtor de eventos, colunista social e criativo Chrystian de Saboya tem sentido esse cenário de forma mais intensa nos últimos meses, à medida que passou a publicar com maior frequência reflexões sobre política, democracia e justiça social.
Em uma das postagens em sua conta pessoal na rede social Instagram, intitulada “As Asas da Dignidade”, Saboya declara que não é filiado ao PT nem se considera comunista, mas explica que apoia pautas ligadas ao combate à desigualdade social, à defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), das instituições democráticas e dos programas sociais.
A publicação provocou reações imediatas. Entre elas, comentários de seguidores informando que deixariam de acompanhá-lo por discordarem de seu posicionamento político. Em alguns casos, Saboya respondeu de forma irônica às críticas.
Ao Diário do RN, Saboya comentou que a intensificação dos ataques coincidiu com o período em que passou a se posicionar mais frequentemente sobre política. Usuários da rede social também deixaram de segui-lo após as postagens com conteúdos políticos.
“Eu sou muito bem resolvido na minha vida. Nunca estive ao lado dos cafonas. Desde muito menino eu sempre preferi defender aqueles que menos têm. São para essas pessoas que o meu abraço é mais necessário”, afirmou.
Segundo ele, as mensagens ofensivas não alteram sua postura.
“Todas essas mensagens não afetam o meu campo magnético. Primeiro porque eu me divirto, segundo porque a resposta está sempre na ponta da língua e terceiro porque eu não dou credibilidade à gente oca, medíocre, estúpida”, comentou.
“Você fica horroroso de vermelho”
A repercussão das publicações políticas de Chrystian de Saboya se reflete diariamente na caixa de comentários de suas redes sociais. Entre manifestações de apoio, também aparecem críticas, ofensas e anúncios de que seguidores deixarão de acompanhar seu perfil.
Uma das mensagens dizia:
“Estou deixando de seguir você porque você fica horroroso de vermelho. Um homem tão bonito e inteligente fazer fotos no meio de uma ‘mundissa’ é uma vergonha”, escreveu uma seguidora.
Em tom irônico, Chrystian respondeu:
“Bom dia! Sobre deixar de me seguir, você faz muito bem. Eu só queria entender por que vocês, 22, escrevem sempre tão errado; mas entendo: quem não lê, se transforma nisso. Sobre ser bonito e inteligente eu não posso dizer o mesmo com você. Aliás, se não for pedir muito, troque a sua foto do perfil. Eu olhei de relance e pensei que era um hipopótamo com febre amarela. Mais um erro de português: mundiça é com Ç. Vá pra baixa de égua”, respondeu.
Em outra publicação, uma seguidora comentou:
“Que pena! Eu não sigo petista…”, escreveu.
A resposta do jornalista foi direta.
“Pois vaze daqui! Faço nenhuma questão!”, respondeu.
Na sequência, outro seguidor saiu em defesa de Saboya.
“Tô com pena de você. Perdeu a oportunidade de seguir alguém decente e evoluído”, comentou.
Saboya diz que o apoio recebido de outros seguidores acaba superando os ataques.
“Outro fator muito importante que chancela esse meu comportamento são as mensagens profundamente carinhosas e respeitosas que eu recebo. A maldade não deve se antepor à alegria, à decência, àqueles que têm a alma limpa, o caráter às claras”, afirmou.
O produtor de eventos também destaca que nunca escondeu suas convicções.
“Eu sempre deixei a minha vida muito clara para as pessoas. Eu não sou de meias verdades, eu não sou de meias vontades, eu não preciso me esconder por esse ou por aquele motivo. Cada um luta com as armas que tem: as minhas são embasadas na verdade, na justiça social, no sonho de um mundo melhor para todos nós”, disse.
Além das críticas, Saboya relata que também recebeu ameaças em decorrência de suas manifestações políticas.
Questionado se precisou procurar as autoridades, respondeu que sim.
“Já chegaram ameaças, sim. Mas como essa gente, além de cafona, é muito covarde, eu exponho, exijo respeito, presto queixa. Todos correm. Quem não tem argumentos, não tem asas”, afirmou.
Na avaliação do jornalista, o crescimento dos discursos de ódio evidencia a necessidade de estabelecer limites para o ambiente digital.
“Mesmo que a extrema direita não queira limites, porque limites são caminhos que eles não identificam como grandeza, se faz necessária, urgentemente, a regulamentação das redes sociais.
As pessoas precisam entender que respeito é um caminho inerente ao ser humano”, defendeu.


Mensagens de apoio destacam importância do posicionamento de Saboya
Apesar das críticas, Saboya afirma que também recebeu manifestações de solidariedade e reconhecimento.
Uma seguidora relatou que acompanha seu trabalho e destacou a importância do posicionamento público do jornalista.
“Constatei algo muito interessante nos últimos tempos: você é o único profissional que trabalha com luxo no Rio Grande do Norte que está ao lado da classe trabalhadora, da justiça social e da democracia. Não vejo ninguém com a sua coragem, o seu posicionamento e as suas verdades”, escreveu.
Na mesma mensagem, ela contou que enfrenta depressão desde a perda de dois filhos para a Covid-19 e afirmou que as publicações do jornalista têm contribuído para seu bem-estar.
“O seu Instagram me faz bem, me faz sorrir e me faz uma pessoa melhor. Receba o meu abraço cheio de gratidão”, declarou.
Outro depoimento veio do professor Phillipe Castro, que enviou um áudio agradecendo o posicionamento político de Saboya.
“Hoje a neutralidade não é mais possível. Hoje a gente tem que descer do muro e dar a cara a tapa, e é isso que você vem fazendo. Muito obrigado por fazer esse trabalho e por se comprometer”, afirmou.
Para Saboya, essas demonstrações reforçam que vale a pena manter o espaço aberto para o diálogo, mesmo diante das críticas.
“Talvez essa seja a melhor herança e a mais importante que eu possa deixar para os meus filhos”, concluiu.

