O empresário Elói Vitório Marchett, responsável por uma doação de R$ 2 milhões à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), teve uma ossada humana encontrada pela Polícia Federal em uma de suas propriedades rurais, em Mato Grosso. A descoberta ocorreu em novembro de 2003, na Fazenda São Gabriel, localizada a cerca de 60 quilômetros de Rondonópolis, durante uma investigação sobre suspeitas de exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão.
O episódio foi recuperado em reportagem publicada na terça-feira (20) pelo jornalista Paulo Motoryn, na newsletter Noites Húngaras, com base em registros da imprensa de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul produzidos entre 2003 e 2007. O levantamento também aponta que o empresário foi investigado por contrabando e formação de quadrilha, além de ter tido a prisão decretada pela Justiça Federal.
De acordo com os registros da época, a ossada foi localizada em 24 de novembro de 2003, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na Fazenda São Gabriel, às margens da BR-163. A Polícia Federal chegou ao local após receber informações sobre a existência de um cadáver enterrado na propriedade.
Os agentes encontraram os restos mortais envolvidos em uma rede, acompanhados de roupas que correspondiam à descrição apresentada na denúncia. A investigação era conduzida pelo delegado federal Luciano Raizer, que também apurava denúncias de trabalho escravo na fazenda.
Na ocasião, a Polícia Federal informou que não havia encontrado indícios de trabalho escravo durante aquela diligência. Os advogados do empresário sustentaram que a morte poderia ter ocorrido durante uma briga entre funcionários, sem conhecimento do proprietário.
Os registros consultados não esclarecem a identidade da vítima, a causa da morte ou o resultado definitivo da investigação. Também não apresentam evidências de que Marchett tenha participado de algum crime relacionado à ossada.
Empresário teve prisão decretada em investigação sobre contrabando
Quatro anos depois, em junho de 2007, Elói Vitório Marchett voltou a ser investigado pela Polícia Federal, desta vez no âmbito da Operação Zaqueu, deflagrada para combater uma organização criminosa que atuava na fronteira entre Brasil e Paraguai.
A operação investigava suspeitas de contrabando de agrotóxicos e armas, tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Segundo as reportagens recuperadas por Motoryn, Marchett foi apontado como comprador de agrotóxicos contrabandeados por meio da Sementes Carolina, empresa de sua propriedade, sediada em Rondonópolis.
A Justiça Federal em Campo Grande determinou o bloqueio de R$ 1 milhão em contas bancárias do empresário. Sua prisão havia sido decretada em 8 de junho daquele ano e, conforme os registros jornalísticos, ele era considerado foragido naquele período.
A defesa argumentava que Marchett possuía residência fixa, família constituída e não tinha antecedentes criminais. O empresário foi posteriormente indiciado por contrabando e formação de quadrilha.
O levantamento não identificou o desfecho judicial do processo, de modo que não é possível afirmar que o empresário tenha sido condenado pelos crimes investigados.
Doação de R$ 2 milhões à campanha de Flávio Bolsonaro
Atualmente, Elói Vitório Marchett atua em diferentes segmentos do agronegócio, incluindo produção de soja, comercialização de sementes, pecuária e transporte de cargas.
Dados de prestação de contas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o empresário realizou duas doações de R$ 1 milhão à campanha de Flávio Bolsonaro, ambas registradas em 15 de outubro de 2026, totalizando R$ 2 milhões.
Com o montante, Marchett aparece entre os maiores financiadores individuais da candidatura do PL à Presidência da República.

