A Procuradoria-Geral da República (PGR) desmentiu, nesta sexta-feira (9), a existência de um depoimento oral do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, durante as negociações para um acordo de colaboração premiada. Em nota oficial, o órgão esclareceu que todas as tratativas ocorreram por intermédio dos advogados do investigado e que não houve contato direto entre Vorcaro e representantes da Procuradoria.
O posicionamento ocorre após a revista Veja publicar uma reportagem atribuindo ao empresário declarações sobre supostos repasses de R$ 30 milhões relacionados ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a publicação, as informações estariam associadas a materiais apresentados durante as negociações de uma possível delação premiada.
Em comunicado divulgado às 11h29, a PGR afirmou que recebeu as propostas encaminhadas pela defesa sem interferir previamente no conteúdo apresentado pelos advogados.
“Todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta de Vorcaro com qualquer representante da PGR”, informou o órgão.
A Procuradoria também confirmou que a proposta de colaboração premiada foi rejeitada e que os motivos da decisão foram comunicados à defesa do empresário.
“Não houve depoimento oral de Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, acrescentou a instituição.
A manifestação da PGR contraria a possibilidade de que Vorcaro tenha prestado declarações diretamente aos procuradores durante as negociações. O comunicado, entretanto, não detalha o conteúdo das propostas escritas apresentadas pelos advogados nem esclarece a autenticidade dos materiais divulgados pela revista.
Polícia Federal também desmente informações da Veja
A manifestação da PGR se soma ao posicionamento da Polícia Federal (PF), que também contestou, nesta sexta-feira, a reportagem da Veja, intitulada “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”.
Em nota, a corporação afirmou que o empresário não prestou depoimento com o conteúdo divulgado pela revista nem entregou documentos ou anexos com as informações descritas na publicação.
A PF também esclareceu que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais. Segundo a instituição, a decisão foi fundamentada e comunicada aos advogados do investigado

