A reconstrução do movimento estudantil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) durante a ditadura militar é tema do novo livro do professor Carlos Alberto Nascimento de Andrade. Publicada pela Aipê Editora, a obra será lançada no dia 1º de outubro, às 8h30, no Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), no Campus Central da UFRN, em Natal.
O livro acompanha o período de 1974 a 1984, marcado pela reorganização política dos estudantes dentro da universidade e pela retomada dos Centros Acadêmicos (CAs), Diretórios Acadêmicos (DAs) e demais entidades estudantis.
A pesquisa também aborda a participação dos universitários nas mobilizações que marcaram o processo de redemocratização do país. Para o autor, o período foi marcado por dificuldades relacionadas ao contexto político e à vigilância exercida dentro das universidades.
“Foi um período difícil, porque foi um período de reconstrução e reorganização do movimento estudantil no período da ditadura militar. Dentro da própria universidade havia órgãos de informação do Exército que monitoravam a vida dos professores, estudantes e funcionários”, explica Carlos Alberto Nascimento de Andrade.
Ocupação da Reitoria
O ano de 1984 foi escolhido como marco final da pesquisa por causa da ocupação da Reitoria da UFRN pelos estudantes. Segundo o autor, a mobilização teve participação importante de estudantes que viviam nas moradias universitárias.
“84 foi o ano da ocupação da Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte pelos estudantes. Por isso que o livro enfoca essa reconstrução, a partir de 74, quando os estudantes começaram a recriar os CAs, a tomar conta dos diretórios acadêmicos”, afirma.
A obra também busca reconstruir as diferentes correntes políticas presentes no movimento estudantil naquele período. A pesquisa identifica dois grandes grupos de tendências: o chamado “operário e popular” e o “nacional-democrático”.
De acordo com a pesquisa, o primeiro grupo era marcado pela compreensão da contradição entre trabalho e capital e pela defesa da revolução socialista. O segundo concentrava sua atuação na questão democrática e na luta anti-imperialista.
Apesar das diferenças ideológicas, os grupos compartilhavam a percepção de que os estudantes tinham participação ativa nas transformações políticas e sociais vividas pelo país.
Memória do movimento estudantil
Além da dimensão política, o livro recupera aspectos do ambiente cultural vivido pelos universitários durante o período. A juventude estudantil é apresentada na pesquisa como protagonista de um momento de intensas transformações sociais e políticas.
A publicação também busca contribuir para a preservação da memória da UFRN e da atuação dos estudantes durante a ditadura militar.
“A importância de publicar um livro sobre movimento estudantil, principalmente nessa época de 74 a 84, se deve fundamentalmente porque de 74 para trás já havia um livro sobre esse tema da professora Justina Iva. Como esse período de 74 a 84 foi um período de reconstrução, de reorganização do movimento estudantil, eu me envolvi nessa temática porque esse tema, no meio dos militantes, de esquerda principalmente, tem uma importância fundamental”, afirma o autor.
Sobre o autor
Carlos Alberto Nascimento de Andrade é graduado em Sociologia e possui mestrado e doutorado em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atualmente, é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), em Mossoró, e desenvolve pesquisas relacionadas à educação, história e questões sociais.

