Por Elane Nascimento
Mais de mil pessoas aguardam por um transplante no Rio Grande do Norte, enquanto a taxa de doação de órgãos permanece estável nos últimos três anos. Os dados da Central de Transplantes revelam a importância da conscientização durante a campanha Setembro Verde, que busca ampliar o número de doadores e reduzir o tempo de espera de pacientes que dependem do procedimento para continuar vivendo.
Segundo a coordenadora da Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, Rogéria Medeiros, o Estado realiza atualmente transplantes de córnea, medula óssea, rim e coração. Já os pacientes que necessitam de transplantes de fígado, pâncreas ou procedimentos combinados são encaminhados para outros estados.
Atualmente, a fila de espera reúne 612 pessoas que aguardam transplante de córnea, 372 de rim e 33 de medula óssea. No caso do transplante de coração, conforme as informações da Central de Transplantes, não há pacientes aguardando pelo procedimento no momento.
Rogéria explica que o número de doações tem permanecido praticamente estável.
“O Estado mantém a mesma taxa de doação praticamente estável nos últimos três anos. Em 2026, até 31 de agosto, nós realizamos um transplante de coração, 100 transplantes de medula óssea, 138 transplantes de córnea e 46 transplantes renais. Aqui no nosso estado, cada doador pode doar até seis órgãos”, explicou.
Ela acrescenta que alguns procedimentos ainda não são realizados no Rio Grande do Norte.
“Os pacientes que precisam de transplante hepático, transplante duplo de rins e pâncreas, transplante duplo de fígado e rins e transplante de pâncreas são encaminhados para outros estados”, esclareceu.
Embora muitas pessoas manifestem o desejo de ser doadoras, a decisão final depende da autorização dos familiares.
“Quem autoriza a doação são os familiares de primeiro grau, após a constatação do óbito do familiar”, explicou Rogéria.
Segundo a coordenadora, é comum que familiares apresentem dúvidas no momento da entrevista para autorização da doação.
“Sempre tem, sim, muitas dúvidas da família em relação à doação de órgãos, mas cada família tem sua particularidade e suas dúvidas são tiradas no momento da entrevista”, afirmou.
Transporte rápido amplia chances de sucesso
Depois que a doação é autorizada, o tempo passa a ser um fator decisivo. No Rio Grande do Norte, o Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAER) atua no transporte de órgãos e, em alguns casos, de pacientes, garantindo rapidez para que o transplante ocorra dentro do tempo adequado.
A atuação do grupamento ocorre por meio de um termo de cooperação com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-RN). A Central de Transplantes aciona diretamente o Coordenador de Operações Aéreas, responsável por organizar a missão.
O CIOPAER dispõe atualmente de dois helicópteros, Potiguar 01 e Potiguar 02. Entre janeiro e agosto deste ano, foram realizadas 24 missões de transporte de órgãos, todas concluídas com sucesso.
Quando o transplante será realizado em outro estado, o transporte aéreo leva o órgão até o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, reduzindo o tempo de deslocamento e aumentando as chances de preservação do material para o procedimento.
Para o piloto Eduardo Costa, participar dessas missões vai além da atividade operacional.
“Para mim, o transporte aéreo de órgão é um voo pela própria vida e a missão mais nobre que um piloto pode realizar, pois cada minuto pode representar uma nova chance para alguém. Exige muita coordenação e absoluto comprometimento de cada envolvido. E, acima de tudo, é sentir que somos instrumentos de bondade no transporte de esperança para uma família”, disse.
Setembro Verde acende alerta de conscientização
A campanha Setembro Verde busca ampliar o diálogo sobre a importância da doação de órgãos e incentivar que as pessoas conversem com seus familiares sobre o desejo de ser doadoras. Como a autorização depende da família, informar essa decisão ainda em vida é considerado um dos principais passos para aumentar o número de transplantes e oferecer uma nova oportunidade a quem aguarda na fila de espera.

