O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contar com uma nova técnica cirúrgica capaz de tratar, ao mesmo tempo, casos de glaucoma e catarata. A incorporação do procedimento foi oficializada pelo Ministério da Saúde por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (17).
A nova abordagem permite realizar a remoção do cristalino, afetado pela catarata, e a desobstrução do canal de drenagem do olho em uma única intervenção. A medida atualiza o tratamento disponível na rede pública e amplia as opções terapêuticas para pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto leve a moderado.
A modernização foi proposta pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde junto à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A recomendação favorável ocorreu em agosto.
Segundo o Ministério da Saúde, a técnica apresenta vantagens como menor invasividade, recuperação mais rápida, redução no risco de complicações e melhor controle da pressão intraocular, fator diretamente relacionado à progressão do glaucoma e ao risco de perda da visão.
“Além de ampliar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento, essa inovação otimiza recursos públicos e reforça o compromisso do SUS de levar o que há de mais avançado na medicina para quem mais precisa”, avaliou a secretária da SCTIE, Fernanda De Negri.
Procedimento substitui técnica mais cara
Atualmente, o tratamento inicial do glaucoma na rede pública ocorre por meio do uso de colírios para reduzir a pressão dentro do olho. Quando os medicamentos não apresentam resultado esperado ou o paciente encontra dificuldades para manter o tratamento, podem ser indicadas alternativas como procedimentos a laser ou cirurgias.
A nova técnica será incluída no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do glaucoma e contempla duas possibilidades: a goniotomia excisional, realizada por uma pequena incisão na córnea, e a trabeculotomia transluminal, que utiliza um microcateter ou fio cirúrgico inserido no canal natural de drenagem ocular.
De acordo com relatório da Conitec, a goniotomia excisional pode representar uma economia de aproximadamente R$ 18 mil para cada ano de vida saudável ganho pelo paciente, quando comparada ao implante de drenagem oftalmológico conhecido como iStent.
A estimativa do Ministério da Saúde aponta que a incorporação do procedimento poderá gerar economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano e chegar a R$ 93,2 milhões no quinto ano. Ao longo desse período, a substituição da cirurgia com iStent pela nova técnica pode representar uma redução de cerca de R$ 276 milhões nos custos do sistema público de saúde.
Doenças afetam a visão progressivamente
O glaucoma é uma doença crônica que compromete o nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais ao cérebro. A evolução da doença provoca perda progressiva da visão periférica e pode levar à cegueira quando não há acompanhamento adequado.
Segundo a Conitec, o glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no mundo, atrás apenas da catarata. A forma mais comum no Brasil é o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), que apresenta evolução lenta e silenciosa.
A doença pode atingir até 3% da população brasileira com mais de 40 anos. O GPAA corresponde a cerca de 60% dos diagnósticos registrados no país.
Já a catarata ocorre quando o cristalino, estrutura transparente localizada dentro do olho, perde sua transparência e se torna opaco. A alteração reduz a capacidade visual e tem maior incidência entre pessoas idosas.

