AS BLUSINHAS E O RUGIDO DO TIGRINHO
Se a política brasileira fosse uma peça de comédia pastelão, o roteiro atual de Brasília concorreria diretamente ao Oscar de melhor acrobacia ideológica. Poucas coisas ilustram com tanta precisão a elasticidade dos princípios palacianos quanto o vaivém esquizofrênico da famosa “taxa das blusinhas” e o enredo novelesco das apostas digitais.
Não faz muito tempo, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin vestiu a armadura de patrono da indústria nacional para defender o sacrifício tributário do cidadão comum. Em nome do emprego fabril, das tecelagens paulistas e da proteção do comércio verde-amarelo, a comprinha de até 50 dólares na China virou quase um atentado à soberania brasileira. Pois bem: bastou o calendário se aproximar do ano eleitoral e as pesquisas de humor popular piscarem em amarelo para a memória fazendária evaporar. O mesmo governo que inventou o pedágio na muamba digital agora corre para posar de generoso benfeitor da isenção. Aos empresários da confecção brasileira, restou assistir de camarote ao estelionato retórico: o discurso desenvolvimentista virou fumaça na primeira curva que levou à corrida pelo quarto mandato.
Mas o picadeiro não para no provador de roupas. Se na moda íntima da importação o Planalto deu meia-volta, no cassino virtual a coreografia é ainda mais risível. O próprio governo Luiz Inácio Lula da Silva tratou de estender o tapete vermelho, regulamentar a jogatina e dar foro de cidadania tributária às plataformas de apostas e ao implacável “Tigrinho”. A Fazenda contava moedas, salivava com a arrecadação bilionária e tratava o vício digital como moderna “quota fixa”. Bastou o salário mínimo, o Bolsa Família e a feira da dona de casa escorrerem pelo ralo das roletas online para que o governo, tomado por um choque súbito de pureza moral, resolvesse posar de bombeiro do incêndio que ele mesmo acendeu com gasolina oficial.
Agora, em nome dos bons costumes e da sobrevivência nas urnas, o Planalto corre para amordaçar o felino que engordou no próprio quintal. Taxa-se hoje o que ontem era pecado; perdoa-se amanhã o que hoje quebra a indústria. Em Brasília, a coerência fiscal e a convicção programática não passam de blusinhas baratas: trocam-se de modelo a cada temporada, sempre ao gosto do freguês eleitor.
EDITORIAL
Em seu editorial na edição de ontem, quinta-feira, 10, o jornal O Estado de São Paulo, o Estadão, trouxe sob o título “Fachin ouviu o clamor da sociedade civil” uma análise sobre a crise que tem abalado o Supremo Tribunal Federal – STF.
EDITORIAL 2
Como chamada, o Estadão abre o editorial assim: “Presidente do STF mostrou-se sensível ao anseio cívico por um escrutínio público, colegiado e republicano das graves suspeitas que pairam sobre Moraes, que não pode continuar juiz”.
EDITORIAL 3
Ao finalizar o editorial, o Estadão resume: “A extrema gravidade das suspeitas que recaem sobre Moraes e a bagunça instalada na Corte, reduzida a um campo de batalha de liminares, uma mais excrescente que a outra, provocaram a justa estupefação da sociedade civil, que agora clama por uma saída civilizada desse imbróglio”.
FEDERAL
Na disputa pelas 8 vagas na Câmara Federal que cabem ao Rio Grande do Norte, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou inicialmente 111 pedidos de candidaturas, mas até o momento foram deferidas 101.
FEDERAL 2
Dos 11 pedidos de registros de candidaturas para deputado federal, 05 estão aguardando julgamento, duas candidaturas estão indeferidas, mas em prazo recursal e já tiveram oficializadas 3 renúncias.
EXAGEROU
Como bom ator que tem se mostrado desde que entrou para a política partidária no Rio Grande do Norte, o candidato a governador pelo Uniao Brasil, Alysson Bezerra, exagerou na dosagem ao gravar um vídeo emotivo. Não chorou, mas mostrou vontade teatralmente.
EXAGEROU 2
No vídeo, Alysson se mostra emocionado e reprova a atitude da campanha de Álvaro Dias, denunciado que introduziram um droner na sua casa para filmar a intimidade de sua família para exibição no horário eleitoral na televisão.
REAL
Quem viu o vídeo constata que não houve invasão do droner à residência de Alysson Bezerra. As imagens mostram que o equipamento aéreo sobrevoa o condomínio residencial, em Mossoró, onde Alysson reside. Nada mais que isso. Pelo menos foi o que constatou o colunista ao analisar o vídeo da propaganda de Álvaro Dias.

