DRAMA
A candidatura de Allyson Bezerra não passa por um bom momento e as reações falam por si. Vivendo num platô, estacionado sem crescimento, o ex-prefeito de Mossoró apelou na gravação de um vídeo dizendo que Álvaro Dias ‘passou de todos os limites’.
PERSONAGEM
Em tom dramático, performance indiscutivelmente teatral, Allyson se diz indignado com um drone que teria ‘invadido’ sua privacidade e a de sua família. A suposta indignação do ex-prefeito de Mossoró não permitiu que ele mostrasse um único segundo da imagem que teria provocado reação tão grande.
DRONE
Allyson não mostrou nenhuma imagem, dramatizou que sua residência teria sido ‘invadida’, levantou suposição sobre o drone ter gravado toda a rotina de sua casa, até quando a criança brincava no quintal. Na verdade, a única imagem vista no programa eleitoral de Álvaro Dias é a fachada da mansão que Allyson mora.
VENENO
Allyson perdeu o tom no vídeo da indignação contra o que ele não mostrou. No debate da 98 FM, ficou evidente seu estilo teatral. Faz parte da estratégia de todo político. A questão é que a diferença entre remédio e veneno é a dose. E, nesse caso, o remédio acabou virando veneno.
REALIDADE
Na verdade, a indignação de Allyson com o programa eleitoral de Álvaro não está na imagem da fachada de sua mansão no condomínio de luxo mossoroense. A questão é que o vídeo é uma pancada de verdade na ilusão criada por Allyson para dizer que foi um bom gestor.
REALIDADE II
O vídeo revela uma comunidade carente de tudo; inclusive da presença do prefeito, que havia prometido mudança de vida e quem mudou de vida foi ele, não a população. O que incomodou de verdade e ele não vai admitir, é que os depoimentos das pessoas é uma pancada na imagem que ele tenta passar para o estado, de que Mossoró é uma cidade em que tudo é muito bom e funciona.
PRIVACIDADE
Allyson não ficou preocupado que mostrassem a rotina de sua filha, coisa que ninguém jamais ousaria fazer. O problema é que o menino que nasceu no sítio não tem coragem de mostrar que venceu na vida e hoje mora numa mansão. O comparativo deveria ser motivo de orgulho, mas é de vergonha.
REAÇÃO
A pesquisa DataVero/Diário do RN, acendeu um alerta na campanha de Álvaro Dias. A virada de Cadu de Lula sobre o pai de Adjuto era previsível pela evolução de desempenho dos dois. Cadu não parou de crescer em nenhum momento. Álvaro parou de crescer e passou a cair.
ERRO
Se algum curioso com tempo livre se dispuser a relembrar o que a coluna dizia desde o começo de tudo, vai encontrar que Álvaro estava de olho no adversário errado. Não era Cadu o alvo a ser abatido; era Allyson. E a campanha de Álvaro ignorou o tempo todo, numa birra extremamente improdutiva.
ERRO II
O voto de Cadu está no eleitorado de Lula e da esquerda. Com horas intermináveis de discurso ou entrevista, Álvaro não conseguiria mudar um único voto propenso a votar no candidato do PT.
Eles não enxergaram o óbvio. O algo era outro.
ERRO III
Allyson e Álvaro disputam fatias semelhantes do eleitorado. Parte do centro, direita e extrema direita, quase todos contra o PT. Tirar a máscara de Allyson era a salvação de Álvaro. A queda de Allyson provocaria a subida de Álvaro. A miopia arrogante da campanha não conseguiu identificar essa situação. Reverter o quadro de queda é bem mais difícil do que construir uma subida consciente.

