Por Fernanda Sabino
Quatro anos depois de o Rio Grande do Norte viver o primeiro segundo turno de sua história para o Governo do Estado, a eleição de 2010 apresentou um cenário diferente. Três candidaturas de peso entraram na disputa pelo Executivo potiguar, mas a decisão veio já no primeiro turno. Com 52,46% dos votos válidos, Rosalba Ciarlini (DEM) superou o então governador Iberê Ferreira (PSB) e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) e se tornou a segunda mulher eleita para comandar o Estado.
A eleição, realizada em 3 de outubro, ocorreu em meio a uma mudança no comando do Governo. Wilma de Faria, eleita em 2002 e reeleita em 2006, havia deixado o cargo em abril daquele ano para disputar uma vaga no Senado. Com a saída, o vice Iberê Ferreira assumiu o Executivo e chegou às urnas como governador, na tentativa de conquistar um mandato próprio.
Rosalba, por sua vez, chegava à disputa depois de construir sua trajetória política principalmente a partir de Mossoró. Médica pediatra, havia sido eleita prefeita da cidade pela primeira vez em 1988. Voltou à Prefeitura em 1996, foi reeleita em 2000 e, em 2006, conquistou uma vaga no Senado. Quatro anos depois, deixou o mandato para buscar pela primeira vez o Governo do Rio Grande do Norte. Sua chapa tinha como vice Robinson Faria (PMN), que vinha de seis mandatos consecutivos como deputado estadual e presidiu a Assembleia Legislativa desde 2003.
O cenário representava uma mudança em relação às disputas anteriores. Depois de eleições polarizadas por dois nomes de maior expressão, 2010 reuniu três candidaturas com presença relevante na política estadual: Rosalba, Iberê e Carlos Eduardo. Este último havia sido vice-prefeito e prefeito de Natal e entrou na corrida pelo PDT, tendo Álvaro Dias como candidato a vice.
Vitória no primeiro turno
A apuração confirmou a vantagem de Rosalba. A candidata do DEM recebeu 813.813 votos, equivalentes a 52,46% dos válidos, percentual suficiente para evitar o segundo turno. Iberê Ferreira ficou em segundo lugar, com 562.256 votos, ou 36,25%. Carlos Eduardo recebeu 160.828 votos e terminou com 10,37%.
Outros três candidatos completaram a disputa: Sandro Pimentel (PSOL), com 10.520 votos (0,68%); José Walter Xavier (PCB), com 2.078 (0,13%); e Bartô Moreira (PRTB), com 1.746 (0,11%).
O resultado também mostrou a capilaridade da candidatura vencedora. Rosalba ficou à frente em 114 dos 167 municípios potiguares. Iberê venceu em 52, enquanto Carlos Eduardo liderou apenas em Itajá. Mesmo em Natal, onde a ex-prefeita da capital tinha como adversário um ex-prefeito, Rosalba terminou na dianteira.
A vitória fez de Rosalba a segunda mulher eleita governadora do Rio Grande do Norte, depois de Wilma de Faria. Na prática, o resultado também significou que, pela terceira eleição estadual consecutiva, os potiguares escolheram uma mulher para o Governo: Wilma havia vencido em 2002 e 2006, e Rosalba assumiria o cargo em janeiro de 2011.
Para o DEM, a conquista representou ainda o retorno do grupo político ao comando do Estado duas décadas depois da vitória de José Agripino Maia, em 1990. A eleição também recolocou a família Rosado no Governo: Dix-Sept Rosado, sogro de Rosalba, havia sido eleito governador em 1950 e morreu em um acidente aéreo no ano seguinte.
Mudança no Governo
A disputa de 2010 também teve uma particularidade entre os adversários de Rosalba. Iberê entrou na campanha ocupando o Governo havia poucos meses. Ele assumira o cargo em abril, após a desincompatibilização de Wilma para concorrer ao Senado, e disputava a eleição apoiado pelo grupo que governava o Estado desde 2003.
Apesar de ocupar o Executivo e chegar ao pleito como candidato da situação, Iberê terminou com 36,25%, uma diferença de mais de 16 pontos percentuais em relação a Rosalba. A derrota encerrou a tentativa de continuidade do PSB no comando do Estado após os dois mandatos de Wilma.
Carlos Eduardo, por outro lado, apresentou-se como uma terceira força na eleição. Ao lado de Álvaro Dias, alcançou pouco mais de 10% dos votos válidos. A chapa Coragem para Mudar era formada por PDT, PCdoB e PRP.
O desempenho não foi suficiente para levar a disputa ao segundo turno, como havia acontecido quatro anos antes. Rosalba ultrapassou a maioria absoluta necessária e encerrou a eleição no primeiro domingo de outubro.
Disputa pelo Senado
Se Wilma deixou o Governo para tentar chegar ao Senado, o resultado das urnas acabou sendo desfavorável à ex-governadora. Naquele ano, duas vagas estavam em disputa, e os eleitos foram justamente dois nomes que já haviam ocupado o Governo do Estado: Garibaldi Alves Filho (PMDB), com 1.042.272 votos, equivalentes a 35,03% dos votos nominais para o Senado; e José Agripino Maia com 958.891, ou 32,23%. Wilma terminou em terceiro, com 651.358 votos (21,89%). Assim, tanto ela, que deixara o Governo para concorrer ao Senado, quanto Iberê, que assumira o Executivo e tentava permanecer no cargo, encerraram a eleição sem mandato conquistado nas urnas.
Renovação de Bancadas
Na Câmara dos Deputados, Fátima Bezerra (PT) foi a candidata mais votada do Rio Grande do Norte, com 220.355 votos, seguida por João Maia (PR), com 217.854. Também conquistaram vagas Henrique Eduardo Alves, Fábio Faria, Felipe Maia, Betinho Rosado, Sandra Rosado e Paulo Wagner.
Na Assembleia Legislativa, Antônio Jácome (PMN) liderou a votação, com 54.743 votos. Entre os eleitos estavam ainda Ezequiel Ferreira, Walter Alves, Ricardo Motta, Gustavo Carvalho, Tomba Farias, Nelter Queiroz, Getúlio Rêgo, Márcia Maia, Vivaldo Costa, George Soares, Fábio Dantas, Hermano Morais e Fernando Mineiro.

