O Governo do Rio Grande do Norte vai criar uma sala de situação para acompanhar os possíveis impactos do fenômeno El Niño e coordenar medidas preventivas em todo o estado. O anúncio foi feito pela governadora Fátima Bezerra nesta quinta-feira (3), durante reunião com gestores municipais e representantes de órgãos estaduais e federais na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), em Natal.
A proposta é reunir equipes técnicas das três esferas de governo em encontros periódicos para elaborar diagnósticos, acompanhar as condições climáticas e definir estratégias de enfrentamento aos possíveis efeitos do fenômeno, que, segundo previsões meteorológicas, pode permanecer até meados de 2027.
O El Niño ocorre a partir do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação dos ventos e influenciando o clima em diferentes regiões do planeta. No Nordeste brasileiro, o fenômeno costuma estar associado à redução das chuvas e ao agravamento dos períodos de estiagem.
Segundo Fátima Bezerra, a criação da sala de situação tem como objetivo antecipar problemas e fortalecer o planejamento entre os municípios potiguares.
“O objetivo é ter um calendário para nos reunirmos com regularidade e convocar as nossas equipes técnicas. A partir daí, a gente vai traçando o diagnóstico e fazendo o planejamento para o enfrentamento dessa situação”, afirmou.
A governadora destacou que o estado precisa se preparar para possíveis impactos sobre os recursos hídricos. Entre as medidas citadas estão os investimentos realizados na infraestrutura de abastecimento, como a Barragem de Oiticica, em Jucurutu, que atualmente opera com cerca de 75% da capacidade e pode armazenar até 742 milhões de metros cúbicos de água.
“Se isso se concretizar, os efeitos danosos que esse El Niño trará para as nossas vidas reforçam a importância de nos anteciparmos e planejarmos ações preventivas para mitigarmos esses impactos”, declarou.
Segurança hídrica
Durante o encontro, Fátima também destacou a conclusão da chegada das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) ao Rio Grande do Norte. Segundo ela, a obra representa um avanço histórico para a segurança hídrica do estado.
Outro projeto apontado como estratégico foi o Ramal do Apodi, que deverá ampliar a distribuição das águas do São Francisco para a região Oeste potiguar. A governadora citou ainda o avanço das obras em direção à Barragem Pau dos Ferros, que atualmente opera com aproximadamente 50% da capacidade.
Entre as ações preventivas mencionadas estão também a construção da Adutora do Agreste, a ampliação do sistema Apodi-Mossoró, com investimento superior a R$ 100 milhões, além da perfuração de poços, instalação de dessalinizadores e construção de cisternas em comunidades rurais.
O Governo do Estado também informou que destinou R$ 20 milhões para recuperação de 28 barragens e açudes em municípios do interior. Segundo a gestão estadual, 16 reservatórios já tiveram as obras concluídas.
Defesa Civil prepara municípios
O coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Alexandre Henrique Fonsêca de Araújo Lima, afirmou que o órgão vem fortalecendo a estrutura dos municípios para responder a possíveis situações de emergência.
“O objetivo é preparar as equipes para atuar desde o município onde eventualmente ocorrer um desastre até a estrutura estadual, que presta apoio técnico às cidades”, explicou.
Segundo ele, o cenário atual reforça a necessidade de uma atuação preventiva diante das mudanças climáticas e dos impactos que podem atingir a população.
Durante a reunião, representantes do Governo Federal também destacaram a importância da integração entre União, estados e municípios. O secretário Especial de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Ilário Marques, informou que o governo federal mantém uma sala de situação permanente com participação de 24 ministérios para acompanhar os efeitos do fenômeno em diferentes regiões do país.
A expectativa é que a nova estrutura no Rio Grande do Norte permita um acompanhamento contínuo das condições climáticas e uma resposta mais rápida caso o estado enfrente redução significativa das chuvas ou impactos no abastecimento de água.

