O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, neste domingo (30), que o petróleo da Venezuela proveniente do acordo anunciado recentemente será usado para reabastecer a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR, na sigla em inglês), que foi drasticamente reduzida nos últimos anos em resposta às interrupções no fornecimento global e aos altos preços dos combustíveis.
Trump afirmou em uma publicação nas redes sociais que o processo de “atingir a altura máxima do poço” começará em breve, descrevendo o petróleo venezuelano como um “presente da Venezuela para o povo dos Estados Unidos”.
Não está claro com que rapidez o acordo com a Venezuela poderá fornecer petróleo para as reservas ou trazer benefícios a curto prazo para os motoristas americanos.
O acordo anunciado por Trump na sexta-feira tem o objetivo de revitalizar a debilitada indústria petrolífera venezuelana, mas exigirá investimentos significativos e obras de infraestrutura antes que a produção possa aumentar substancialmente.
A SPR detinha cerca de 290 milhões de barris em 21 de agosto, próximo da mínima em 44 anos, após os Estados Unidos reduzirem seus estoques durante os governos Biden e Trump em resposta às interrupções no fornecimento global, incluindo a invasão da Ucrânia pela Rússia e o conflito com o Irã.
Delcy diz que acordo com EUA preserva soberania da Venezuela
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou no sábado (29) que o acordo energético com os Estados Unidos permanecerá em vigor por 25 anos, com o objetivo de aumentar a produção de petróleo bruto para 1,5 milhão de barris por dia (bpd) e preservar a soberania do país sobre seus recursos naturais.
Em um pronunciamento no final da noite, Rodríguez elogiou o acordo como um pacto “histórico” que ajudaria a reativar a economia e impulsionar a receita do governo, afirmando que ele contribuiria para moldar o futuro do país.
“Este projeto bilateral de 25 anos prevê o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos estratégicos, com uma meta de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia”, disse Rodríguez à emissora estatal VTV.
“Esse valor se refere exclusivamente ao acordo bilateral entre a Venezuela e os Estados Unidos.”
Rodríguez acrescentou que a meta do acordo de 1,5 milhão de barris por dia era apenas um objetivo inicial e que o plano mais amplo também incluía o desenvolvimento de oito novos blocos de petróleo como parte de uma expansão mais abrangente do setor energético do país.
O presidente americano Donald Trump anunciou na sexta-feira (28) planos para que os EUA assumam o controle parcial das vastas reservas de petróleo da Venezuela, apostando que as empresas americanas podem ajudar a revitalizar a indústria energética debilitada do país sul-americano, ao mesmo tempo que fornecem uma nova fonte de petróleo bruto para ajudar a reduzir os preços dos combustíveis nos EUA.
Trump forneceu poucos detalhes sobre o acordo, dizendo apenas que os EUA garantiram o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela por meio de uma parceria com empresas privadas.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas produz apenas cerca de 1,25 milhão de barris por dia – muito abaixo de seu potencial – após anos de subinvestimento, má gestão e sanções.

Rodríguez afirmou que o acordo poderia gerar cerca de US$ 209 bilhões em receita para o Estado venezuelano, com base em um preço de referência do petróleo de US$ 65 por barril, embora tenha reconhecido que os preços do petróleo bruto podem flutuar.
Ela disse que aproximadamente US$ 19 de cada barril produzido e vendido sob o acordo iriam diretamente para a Venezuela, proporcionando um aumento significativo na receita do governo.
Ela afirmou que o país manteve a “propriedade e a soberania” sobre seus recursos naturais, “ao mesmo tempo que alavanca capital, tecnologia e experiência operacional para apoiar a recuperação de um setor estratégico que foi severamente afetado pelas sanções”.
No início da tarde de sábado, dezenas de grupos pró-governo se reuniram no centro de Caracas para protestar contra a presença dos EUA na Venezuela.
Após o anúncio de Trump, Rodriguez saudou o acordo, afirmando que ele impulsionaria o crescimento econômico e aumentaria a receita do governo.
Autoridades venezuelanas estão se preparando para assinar acordos na próxima semana, concedendo novos direitos de exploração e produção de petróleo a diversas empresas, incluindo empresas americanas.
Duas fontes próximas às negociações disseram na sexta-feira que a Chevron estava entre as empresas que deveriam finalizar as conversas para integrar suas joint ventures venezuelanas ao novo regime energético do país.
*Com informações de CNN

