O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deve analisar na próxima terça-feira (1º) a ação movida pelo PT contra um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido por IA (inteligência artificial) e exibido durante a convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
O julgamento deve estabelecer uma tese sobre os limites para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, com potencial para orientar outros casos analisados pela Justiça Eleitoral. A Corte também deverá decidir se houve irregularidade e se o PL e Flávio Bolsonaro devem ser punidos pela divulgação do material.
Na gravação, uma reprodução digital de Jair Bolsonaro aparece manifestando apoio à candidatura do filho. Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado e, por isso, teve seus direitos políticos suspensos e está proibido de se comunicar com o meio externo por meio da internet.
Após a exibição do vídeo, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou o TSE afirmando que o conteúdo configura propaganda eleitoral antecipada e viola as regras da Justiça Eleitoral que proíbem o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas.
O caso será analisado no tribunal eleitoral em meio a um debate ainda sem consenso entre os ministros sobre os limites para o uso de inteligência artificial nas campanhas e, principalmente, sobre quais conteúdos devem ser classificados como deepfakes.
A resolução que regulamenta a propaganda eleitoral nas eleições de 2026 determina que conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial sejam identificados de forma explícita. A norma, no entanto, proíbe o uso de deepfakes desde 2024.
Na semana passada, os ministros se reuniram a portas fechadas para discutir o tema. No encontro, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, apresentou aos colegas as possíveis consequências das regras atuais e propôs uma discussão sobre os prós e contras do uso de inteligência artificial nas campanhas. Nem todos os ministros, porém, manifestaram suas opiniões ou formalizaram seus posicionamentos.
Foi apurado que parte dos ministros defende manter a proibição geral do uso de deepfakes no processo eleitoral. Nunes Marques, por outro lado, tenta convencê-los da possibilidade de a Corte admitir a chamada “IA do bem”: conteúdos produzidos artificialmente que não sejam ofensivos nem utilizados para promover campanhas negativas poderiam ser permitidos.
Nesta semana, motivando uma rediscussão das regras, o ministro André Mendonça apresentou um critério diferente para definir o que deve ou não ser considerado deepfake. Pela proposta, o principal critério seria o grau de realismo da produção e a possibilidade de o conteúdo levar o eleitor a acreditar que se trata de um registro verdadeiro. Memes, caricaturas, animações e outras representações evidentemente fantasiosas, por exemplo, poderiam ficar fora da definição de deepfake.
*Com informações de CNN

