A história econômica do Brasil está diretamente ligada à exploração dos recursos naturais desde a chegada dos portugueses, em 1500. Ao longo de mais de cinco séculos, ciclos produtivos impulsionaram o crescimento do país, mas também deixaram marcas profundas no meio ambiente. O desmatamento, a perda da biodiversidade, a poluição de rios e solos e as mudanças climáticas são alguns dos impactos associados ao modelo de ocupação e desenvolvimento adotado desde o período colonial.
O primeiro ciclo econômico foi o do pau-brasil, entre os anos de 1500 e 1530. A intensa extração da árvore, utilizada para a produção de corante destinado à indústria têxtil europeia, provocou o início do desmatamento da Mata Atlântica, reduziu as populações naturais da espécie e fragmentou áreas de floresta. A atividade também foi marcada pela exploração dos povos indígenas por meio do escambo e, posteriormente, do trabalho compulsório.
A partir de 1530, a economia açucareira transformou o Nordeste em um dos maiores produtores de açúcar do mundo. A implantação de grandes engenhos intensificou o desmatamento da Mata Atlântica, ampliou o uso de queimadas para abertura de áreas agrícolas e provocou erosão, empobrecimento dos solos e assoreamento de rios. No aspecto social, consolidou-se o sistema escravista e a concentração fundiária, cujos reflexos permanecem na estrutura agrária brasileira.
No século XVIII, o ciclo da mineração promoveu a interiorização da colonização com a descoberta de ouro e diamantes em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. A atividade alterou significativamente a paisagem por meio do desmatamento, desvio de cursos d’água, assoreamento de rios e mudanças permanentes no relevo, além de estimular o crescimento das cidades mineradoras.
Durante os séculos XIX e início do XX, o café assumiu a liderança das exportações brasileiras. A expansão das lavouras em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais provocou a devastação de extensas áreas da Mata Atlântica, destruiu nascentes e intensificou a erosão dos solos. Paralelamente, o ciclo impulsionou a expansão ferroviária, a imigração europeia e o crescimento urbano no Sudeste.
Entre as décadas de 1930 e 1980, a industrialização e a rápida urbanização modificaram a relação entre sociedade e meio ambiente. O crescimento das cidades ocorreu, em muitos casos, sem planejamento, resultando em poluição atmosférica, contaminação de rios, aumento da geração de resíduos sólidos e ocupação de áreas ambientalmente frágeis. Casos como a poluição do Rio Tietê, da Baía de Guanabara e da região industrial de Cubatão tornaram-se símbolos da degradação ambiental brasileira.
Nas últimas décadas, a expansão da agropecuária intensificou a ocupação do Cerrado e da Amazônia. A modernização da agricultura elevou a produção de alimentos, mas também ampliou o desmatamento, as queimadas, a fragmentação de habitats e o uso intensivo de agrotóxicos. Na Amazônia, a abertura de rodovias e incentivos à ocupação territorial favoreceram a expansão da pecuária, da soja, da exploração madeireira, do garimpo e da mineração, aumentando a perda de biodiversidade, as emissões de gases de efeito estufa e os conflitos com povos indígenas e comunidades tradicionais.
Atualmente, o Brasil enfrenta uma série de desafios ambientais decorrentes desse processo histórico. Entre os principais estão o desmatamento nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica; as queimadas; a poluição das águas; a crise hídrica; a perda da biodiversidade; a poluição urbana; o uso intensivo de agrotóxicos; os impactos da mineração e a desertificação, especialmente em áreas do Semiárido.
Os efeitos da degradação ambiental também atingem diretamente a população. O aumento de doenças respiratórias, a insegurança alimentar, a redução da produtividade agrícola, os prejuízos ao turismo, os conflitos por terra e água e o crescimento da vulnerabilidade social estão entre as principais consequências observadas.
A partir da década de 1970, a proteção ambiental passou a ganhar maior espaço nas políticas públicas brasileiras. Entre os principais marcos estão o Código Florestal, de 1965; a Política Nacional do Meio Ambiente, de 1981; a Constituição Federal de 1988, que reconheceu o meio ambiente ecologicamente equilibrado como direito de todos; a criação do Ibama, em 1989; a Conferência Rio-92; o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, em 2000; e a Política Nacional sobre Mudança do Clima, instituída em 2009.

