O Rio Grande do Norte alcançou um marco inédito na educação. Pela primeira vez desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, em 2016, a taxa de analfabetismo no estado ficou abaixo de 10%, atingindo 9,3% em 2025. O resultado representa uma queda significativa em relação aos 13,9% registrados no início da série e aos 10,5% observados em 2024.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e integram o módulo anual de Educação da PNAD Contínua. Apesar do avanço, o índice potiguar ainda permanece acima da média nacional, que ficou em 4,9%.
Segundo o levantamento, cerca de 265 mil pessoas ainda são analfabetas no Rio Grande do Norte. Desse total, 139 mil têm 60 anos ou mais, grupo que concentra quase metade dos casos registrados. Entre os idosos, a taxa de analfabetismo chega a 23,2%.
O analista da pesquisa, William Kratochwill, destaca que o fenômeno está fortemente concentrado nas gerações mais velhas. De acordo com ele, quando a população com 60 anos ou mais é retirada do cálculo, a taxa de analfabetismo do estado cai para 5,6%, aproximando-se dos níveis observados em outras regiões do país.
A pesquisa também evidencia desigualdades raciais. Entre a população preta e parda, a taxa de analfabetismo alcançou 11,1%, acima da média estadual. Já entre os brancos, o índice ficou em 6,1%.
RN lidera Nordeste em ensino superior
Outro destaque do levantamento é o desempenho do estado no ensino superior. Pelo segundo ano consecutivo, o Rio Grande do Norte lidera o Nordeste na proporção de pessoas com 25 anos ou mais que concluíram a graduação, alcançando 18,2%. É a terceira vez que o estado ocupa a liderança regional desde o início da série histórica.
O RN também apresentou o menor percentual de pessoas sem instrução da região, com 7,4%. Além disso, 61,8% da população potiguar concluiu ao menos a educação básica obrigatória, avanço expressivo em comparação aos 51,9% registrados em 2016.
Escolarização ainda desafia metas nacionais
Apesar dos avanços, alguns indicadores permanecem abaixo das metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE). Entre crianças de 0 a 3 anos, a taxa de escolarização ficou em 36,6%, distante da meta de 50%. Já na faixa de 4 a 5 anos, o índice foi de 95,7%, ainda abaixo da universalização prevista pelo plano.
Por outro lado, a escolarização entre crianças de 6 a 14 anos atingiu 99,3%, consolidando a universalização do acesso à escola nessa faixa etária.
Menos jovens fora da escola e do mercado de trabalho
A PNAD Contínua também apontou melhora entre os jovens potiguares. A proporção de pessoas entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham caiu para 21,4% em 2025, redução de 2,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em números absolutos, são cerca de 162 mil jovens nessa condição.
Entre as mulheres, o indicador apresentou queda mais acentuada, passando para 25,2%, enquanto entre os homens ficou em 17,8%.
Mulheres seguem com mais anos de estudo
O estudo mostra ainda que as mulheres potiguares continuam apresentando maior escolaridade média. Em 2025, elas acumularam em média 10 anos de estudo, contra 9,4 anos dos homens. Apesar disso, a diferença vem diminuindo ao longo da última década. Em 2016, a vantagem feminina era de 0,9 ano; atualmente, é de 0,6 ano.
Os resultados reforçam os avanços educacionais obtidos pelo Rio Grande do Norte nos últimos anos, mas também evidenciam desafios históricos ligados ao analfabetismo entre idosos, às desigualdades raciais e ao cumprimento integral das metas de escolarização previstas no Plano Nacional de Educação.

