Um tropeço ou uma queda aparentemente sem gravidade depois dos 40 anos pode representar mais do que um acidente isolado.
Pesquisadores da Universidade de Medicina de Changchun, na China, identificaram que uma única queda nessa faixa etária está associada a um aumento de 20% no risco de um futuro diagnóstico de demência, baseado em um estudo que reuniu quase 3 milhões de pessoas.
Até o momento, a relação entre quedas e demência era conhecida principalmente em idosos já diagnosticados, mas a nova pesquisa aponta que esse histórico pode surgir antes mesmo da confirmação clínica da doença.
O estudo publicado no The Journal of Post-Acute and Long-Term Care Medicine mostrou que o impacto pode ser ainda maior em quem sofre quedas recorrentes, visto que nesses casos, o risco de demência chegou a 74%.
Os pesquisadores destacaram que episódios repetidos podem funcionar como sinal clínico relevante para identificar pessoas em maior vulnerabilidade.
“Quedas recorrentes podem servir como um potencial marcador clínico para identificar indivíduos com maior risco”, afirma o artigo científico.
Os cientistas fazem uma ressalva importante: o estudo não conclui que a queda provoca demência de forma direta.
Especialistas explicam que muitas pessoas, após sofrerem uma queda, passam a evitar deslocamentos, exercícios e até encontros sociais.
Esse afastamento pode comprometer estímulos importantes para o cérebro, uma vez que com menos atividade, o declínio cognitivo pode avançar mais rápido, o que aumenta a vulnerabilidade para novas quedas e cria um ciclo progressivo de perda funcional.
O consenso é que quedas precisam ser investigadas não apenas como acidentes físicos, mas também como possíveis indicadores neurológicos.
Os dados analisados pelos pesquisadores mostram que as quedas seguem entre os incidentes de saúde mais frequentes em pessoas acima de 65 anos.
Entre 2017 e 2018, cerca de 220 mil internações de emergência foram registradas por quedas em idosos no Reino Unido.
Além disso, mais de 240 mil ocorrências foram notificadas em hospitais e centros de saúde mental na Inglaterra e no País de Gales. Com informações de NDMais.

