Preso por integrar o núcleo financeiro do esquema de fraudes bilionárias a aposentados e pensionistas, o empresário Maurício Camisotti propôs à Polícia Federal a primeira delação premiada da investigação sobre os descontos associativos que atingiram brasileiros vulneráveis.
A iniciativa de Camisotti de confessar crimes e contribuir com a revelação de novas provas e envolvidos nos roubos, noticiou o Diário do Poder, foi acolhida como válida pela PF e enviada para ser analisada pelo ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Camisotti foi investigado pela Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, e acabou preso em setembro do mesmo ano passado, por ordem de Mendonça, após novos desdobramentos da investigação pela PF e pela CPMI do INSS.
O relator da comissão de inquérito do Congresso Nacional, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), indiciou Camisotti como líder de uma estrutura responsável pela intermediação de repasses entre associações que executavam os descontos fraudulentos e empresas de fachada.
O delator teria sido uma espécie de “arquiteto de império do crime”, segundo o relatório de Alfredo, sendo sócio oculto da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC) e também controlaria as entidades Unsbras e Cebap. Juntas, estas entidades ligadas a Camisotti abocanharam cerca de R$ 1 bilhão de quase um milhão de beneficiários lesados pelos crimes no INSS.
“Relatórios do COAF apontam transações atípicas de R$ 15,5 milhões repassados a Maurício Camisotti, além de outros R$ 28,1 milhões em movimentações suspeitas”, diz um trecho do relatório de Alfredo Gaspar, que acabou não sendo aprovado pela CPMI do INSS.
O relator da CPMI do INSS ainda apontou que Maurício Camisotti tentou converter R$ 59 milhões em criptomoedas, 16 dias após a Polícia Federal deflagrar a Operação Sem Desconto, o que configuraria crimes de ocultação patrimonial e obstrução de Justiça, com risco de destruição de provas.

