Dois homens foram condenados pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo a 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado por exploração sexual de mulheres, inclusive de menores de idade, durante um evento realizado no bairro do Morumbi, em 2023.
Os “coaches de namoro” ofereciam um curso de desenvolvimento pessoal para homens e utilizavam jovens como “prêmios”.
Entre os réus, estão o brasileiro Fabrício Castro e o norte-americano Mike Pickupalpha (nome fictício). Um terceiro envolvido, David Bond (nome fictício), irmão de Mike, está foragido e possui a análise do processo separada dos outros dois.
A investigação se baseou em uma festa realizada em 26 de fevereiro de 2023, onde as mulheres, em sua maioria jovens, foram atraídas com a proposta de custeio de transporte, bebidas à vontade e produção de imagens e vídeos — que posteriormente seriam divulgadas nas páginas do curso com supostas técnicas de conquista.
O juiz federal Caio José Bovino Greggio, responsável pelo caso, analisou que houve o uso frequente de imagens de mulheres para a divulgação do curso. Muitas das vítimas não sabiam que estavam sendo fotografadas ou filmadas.
De acordo com a decisão, as jovens eram vistas como “prêmios” ou “resultados” das técnicas ensinadas. Além disso, Fábio auxiliava na logística dos eventos, enquanto Mike atuava como “instrutor” do curso. Segundo a polícia, o contrato de locação do imóvel onde a festa foi realizada foi assinado pelos dois jovens.
Além da pena em regime fechado, os dois condenados devem pagar 24 dias-multa com base em cinco vezes o salário mínimo referente à época dos fatos.
O estrangeiro ainda pode recorrer em liberdade.
Festas e encontros
Segundo a Justiça, o caso veio à tona após a veiculação de reportagens e foi notificado à Polícia Federal pela Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo).
As investigações chegaram a um programa sobre desenvolvimento pessoal e social chamado “Millionaire Social Circle”. Ele era voltado a homens estrangeiros que possuíam dificuldade de se relacionar. Por isso, o grupo organizava encontros, jantares e festas e levavam mulheres jovens a essas eventos.
Essas mulheres eram induzidas e convencidas a comparecer a essas festas por dinheiro, status social e relacionamentos afetivos, segundo a decisão da Justiça.
As consultorias variavam entre US$ 12 mil e US$ 50 mil, aproximadamente R$ 262 mil, na cotação da época. Os eventos ocorriam também em outros países, como Costa Rica, Colômbia e Filipinas.
Em trechos de aulas divulgados no TikTok, Bond e Pickupalpha descreviam as brasileiras como “incrivelmente lindas”, “sexualmente abertas” e diziam que o Brasil é um país onde “beijar na boca é o mesmo que apertar as mãos”.
Para eles, as mulheres do Brasil possuíam as “melhores curvas”. A dupla também recomendava que os participantes tivessem pílulas do dia seguinte, preservativos e perfumes com feromônios para a viagem.
Após a divulgação do crime, os indivíduos bloquearam os perfis e apagaram os conteúdos sobre o curso.
O “Millionaire Social Circle” prometia ensinar “a confiança necessária” para “falar com mulheres em qualquer lugar, a qualquer momento”, “converter encontros para o quarto no mesmo dia” e também “se aproximar de homens bem sucedidos em todo o mundo”.
Denúncias
Na denúncia, o MPF (Ministério Público Federal) evidenciou a presença de uma adolescente, de 17 anos, no evento citado, embora o grupo indicasse formalmente a restrição para menores de idade.
As mulheres que estiveram no evento disseram à polícia, à época, que foram filmadas e fotografadas sem aviso e que não sabiam do curso.
Além dela, uma mulher, de 27anos, registrou um boletim de ocorrência em março daquele ano informando que havia conhecido um homem por um aplicativo de relacionamentos e ele a convidou para a festa. No local, havia homens estrangeiros que tiraram fotos e vídeos dela para promover um curso sobre relacionamentos.
*Com informações de CNN

