Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revelam um cenário de alerta entre adolescentes no Rio Grande do Norte. Segundo o levantamento, 15,3% dos estudantes de 13 a 17 anos no estado afirmaram que sentiram, na maior parte do tempo ou sempre, que a vida não vale a pena ser vivida nos 30 dias anteriores à pesquisa — o equivalente a cerca de 1 em cada 10 jovens.
Na capital, Natal, o percentual é ainda maior, chegando a 17,5%. A pesquisa também aponta desigualdades importantes: o sentimento é mais frequente entre estudantes de escolas públicas e entre meninas, grupo em que os índices superam significativamente os registrados entre meninos.
Além da percepção sobre a vida, a PeNSE investigou outros aspectos da saúde mental. No estado, 25,9% dos estudantes disseram ter se sentido tristes na maior parte do tempo ou sempre no período analisado. Entre as meninas, esse percentual chega a 37,9%, quase o triplo do registrado entre os meninos (14,1%).
O levantamento também mostra que 30,2% dos escolares potiguares relataram já ter sentido vontade de se machucar propositalmente ao menos uma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa, sendo esse índice mais elevado entre as meninas (41,1%) do que entre os meninos (19,5%).
Outros indicadores reforçam o quadro de vulnerabilidade emocional. Quase metade dos estudantes (49%) afirmou se sentir muito preocupada com questões do dia a dia com frequência, enquanto cerca de um terço relatou que os pais ou responsáveis não compreendem suas preocupações.
A pesquisa também aborda o ambiente escolar e social. No RN, 33,1% dos alunos disseram que raramente ou apenas às vezes são bem tratados por colegas, e 23,9% afirmaram já ter se sentido humilhados mais de uma vez por outros estudantes. Entre os principais motivos estão aparência física, características do rosto ou cabelo.
O estudo ainda aponta que situações de violência extrapolam o ambiente escolar. Cerca de 7,1% dos estudantes disseram já ter sido ameaçados ou forçados a algum ato sexual ao longo da vida, sendo que, na maioria dos casos, os agressores são familiares.
Realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, a PeNSE reúne informações sobre saúde mental, hábitos, violência e contexto social de estudantes brasileiros, servindo como base para a formulação de políticas públicas voltadas à juventude.

