Os preços do petróleo e gasolina permaneceram altos nesta segunda-feira (16), após os ataques a instalações petrolíferas no Oriente Médio no fim de semana – e depois que a Casa Branca sugeriu que a guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã poderia durar mais algumas semanas.
Os preços da gasolina nos Estados Unidos subiram 2 centavos de dólar, chegando a pouco menos de US$ 3,72 por galão, em média, segundo a AAA. Esse é o preço mais alto da gasolina comum desde 7 de outubro de 2023.
Desde o início da guerra com o Irã, os preços da gasolina subiram 74 centavos de dólar por galão. O aumento de 26,9% nos preços da gasolina nos EUA no último mês é o maior aumento mensal desde o furacão Katrina.
A alta ameaça um dos principais argumentos do presidente Donald Trump: a queda dos preços da gasolina durante o segundo mandato dele, incluindo a queda para menos de US$ 3 por galão em dezembro – o menor valor desde maio de 2021.
Segundo informações da CNN, o preço do diesel aumentou ainda mais desde o início da guerra, subindo US$ 1,24. Agora, a média é de US$ 4,99 por galão, aproximando-se dos US$ 5 pela primeira vez desde dezembro de 2022. Algumas empresas de transporte rodoviário já estão adicionando sobretaxas consideráveis de combustível, e esses custos podem ser repassados aos consumidores.
Nesta segunda-feira (16), o petróleo Brent fechou a US$ 100,21 o barril. O WTI fechou a US$ 93,50 o barril.
Tanto o Brent quanto o WTI dispararam na semana passada para os níveis mais altos desde 2022 – depois que os ataques israelenses e americanos ao Irã levaram Teerã a fechar o Estreito de Ormuz para a maioria dos petroleiros, causando a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história. Cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo passa por essa via.
Há poucos indícios de que a guerra, agora na terceira semana, terminará em breve. Os ataques dos EUA à ilha iraniana de Kharg na sexta-feira (13) aumentaram os temores sobre o fornecimento de petróleo, já que a maior parte do petróleo do Irã é exportada de lá, escreveram estrategistas de commodities do ING em uma nota divulgada nesta segunda-feira (16).
Embora os ataques pareçam ter como alvo infraestruturas militares em vez de energéticas, ainda representam riscos para o abastecimento, “particularmente considerando que o petróleo iraniano é praticamente o único petróleo que transita pelo Estreito de Ormuz”, acrescentaram.
Pouco depois dos ataques à ilha de Kharg, destroços de um drone iraniano interceptado também caíram sobre um importante terminal petrolífero nos Emirados Árabes Unidos, forçando a suspensão das operações e ressaltando a ameaça que o conflito representa para as instalações petrolíferas do Oriente Médio.
E embora os Estados Unidos pareçam ter poupado a infraestrutura petrolífera do Irã por ora, Trump alertou, em uma publicação na rede social Truth Social na sexta-feira (13), que reconsideraria essa decisão caso o Irã continuasse a interferir na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.
“Os mercados ainda estão preocupados com uma possível escalada do conflito e, a cada dia que passa, os investidores passam a precificar um conflito mais prolongado”, sinalizou o chefe de pesquisa macroeconômica do Deutsche Bank, Jim Reid, em nota.
No domingo (15), Trump pediu à China e aos aliados dos EUA para enviarem navios de guerra para ajudar a resolver as interrupções no Estreito de Ormuz, alertando que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pode enfrentar um futuro “muito ruim” se os países não prestarem auxílio. Nenhuma nação se comprometeu ainda a enviar navios de guerra.
Enquanto isso, o Irã intensificou a pressão, incluindo a colocação de minas no Estreito e a declaração de que atacará qualquer infraestrutura de petróleo e gás natural ligada aos EUA. Mais de uma dúzia de embarcações foram atingidas no Estreito de Ormuz desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Em entrevista à CBS News no domingo (15), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que Teerã está aberta a negociações com países que desejam acessar o Estreito com segurança.
Também no domingo (15), a Agência Internacional de Energia (AIE) informou que as reservas emergenciais de petróleo começariam em breve a ser liberadas para os mercados globais, após os países membros concordarem, na semana passada, em liberar 400 milhões de barris de petróleo. Os estoques da Ásia e da Oceania serão disponibilizados imediatamente, enquanto os das Américas e da Europa só serão liberados no final de março, segundo a agência.
Durante o fim de semana, o governo Trump também tomou diversas medidas para expandir a produção de petróleo dos EUA a fim de contrabalançar a alta dos preços dos combustíveis. No sábado (14), aprovou um novo projeto da BP na costa do Golfo do México – o primeiro novo projeto da empresa desde o vazamento de petróleo da Deepwater Horizon em 2010. E o secretário de Energia, Chris Wright, ordenou à Sable Offshore Corp. que reiniciasse as plataformas de petróleo e oleodutos na costa do sul da Califórnia.
O Estreito de Ormuz afeta mais do que apenas o petróleo. Agricultores de todo o mundo dependem de fertilizantes transportados por essa hidrovia, o que pode afetar os preços dos alimentos. E os produtos perecíveis transportados por via marítima – como laticínios, frutas, verduras e peixes – podem ser os primeiros a apresentar alta nos preços.

