A Semurb divulgou nesta terça-feira, 10, os resultados do monitoramento da qualidade do ar na área afetada pelo incêndio ocorrido na Estátua de Nossa Senhora de Fátima, no bairro Pajuçara, zona norte de Natal, ocorrido em 24 de fevereiro. O estudo apontou uma alteração pontual nos níveis de poluentes atmosféricos no dia do acidente, com retorno aos padrões anteriores cerca de uma semana depois.
A ação foi realizada a pedido da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que solicitou o acompanhamento técnico para subsidiar políticas públicas voltadas à saúde da população. O trabalho foi conduzido pelo setor de Mudanças Climáticas e Áreas Verdes (SMCA), utilizando o chamado transecto móvel — um veículo equipado com sensores portáteis capazes de medir variáveis meteorológicas e a concentração de material particulado no ar.
Segundo o coordenador da equipe, Carlos da Hora, foram feitas medições um dia depois do incêndio (25 de fevereiro) e novamente em 3 de março. “Tornou-se necessária a avaliação técnica da qualidade do ar nos dias subsequentes ao evento, considerando o potencial de emissão de poluentes atmosféricos resultantes da combustão, principalmente material particulado”, explicou.
Os dados analisados pelo Grupo de Estudos Observacionais e de Modelagem da Interação Biosfera-Atmosfera (GEOMA/UFRN) e equipe técnica da Semurb mostraram uma elevação significativa tanto de partículas finas (PM2.5) quanto grossas (PM10) no dia do incêndio. No entanto, uma semana depois, os valores caíram cerca de 75%.
Resultados obtidos
- 25/02 (um dia após o incêndio): PM2.5 = 19,7 μg/m³ PM10 = 33,9 μg/m³
- 03/03 (uma semana depois): PM2.5 = 3,5 μg/m³ PM10 = 6,0 μg/m³
Apesar da elevação pontual, os números permaneceram abaixo dos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 491/2018, que define os padrões nacionais de qualidade do ar. Ainda assim, o relatório ressalta que os resultados são preliminares e não devem ser usados como único indicador da qualidade do ar durante o evento.
A Semurb destacou que o monitoramento contínuo é essencial e já está previsto no Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas de Natal, que inclui uma rede de 47 pluviômetros manuais e 10 automáticos espalhados pela cidade para acompanhar variáveis climáticas e ambientais. Além de 26 termohigrometros que ajudam no monitoramento climático da cidade.
“O episódio reforça a importância de manter uma rede de monitoramento ativa e integrada às políticas de saúde e meio ambiente da capital”, destaca o secretário da pasta, Thiago Mesquita.

