Israel afirmou ter lançado uma ampla onda de ataques no centro de Teerã neste domingo (1º) e que busca dominar o espaço aéreo sobre a capital, após sua força aérea ter matado o líder supremo do Irã em um ataque que aumentou os temores de crescente instabilidade no Oriente Médio.
Ao longo do último dia, a força aérea israelense realizou ataques para abrir o “caminho para Teerã”, e os militares israelenses afirmaram que a maioria dos sistemas de defesa aérea no oeste e centro do Irã foi desmantelada.
O porta-voz militar israelense, tenente-coronel Nadav Shoshani, disse a repórteres que muitos alvos permaneciam, incluindo instalações de produção do complexo militar-industrial. “Temos as capacidades e os alvos para continuar pelo tempo que for necessário”, afirmou.
Questionada sobre se Israel estava considerando o envio de tropas terrestres ao Irã, Shoshani disse que isso não estava sendo considerado, embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tenham instado os iranianos a aproveitarem a oportunidade para derrubar seus líderes.
Horas depois de os Estados Unidos e Israel terem anunciado que um ataque aéreo matou o aiatolá Ali Khamenei na campanha militar para derrubar o governo do Irã, a mídia estatal iraniana confirmou a morte do líder de 86 anos.
Khamenei, que transformou o Irã em uma poderosa força anti-EUA e estendeu sua influência por todo o Oriente Médio durante seus 36 anos de governo autoritário, estava trabalhando em seu escritório no momento do ataque de sábado, informou a mídia estatal. O ataque também matou sua filha, neta, nora e genro.
O presidente russo Vladimir Putin, um aliado próximo de Teerã, afirmou em uma nota ao seu homólogo iraniano que o assassinato de Khamenei e de membros de sua família foi um homicídio “cínico” que violou todas as normas da moralidade humana e do direito internacional.
Especialistas afirmaram que, embora as mortes de Khamenei e de outros líderes iranianos representem um grande golpe para o país, isso não significa necessariamente o fim do regime clerical consolidado no Irã ou da influência da Guarda Revolucionária de elite sobre a população.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou no domingo que a morte de Khamenei foi “um momento decisivo na história do Irã”.
“O que virá a seguir é incerto. Mas agora existe um caminho aberto para um Irã diferente, um Irã que seu povo poderá ter maior liberdade para moldar”, disse Kallas na plataforma de mídia social X.
Segundo a Constituição do Irã, o Líder Supremo é nomeado pela Assembleia de Peritos, um órgão clerical composto por 88 membros que supervisiona e, em teoria, pode destituir essa figura.
Essa autoridade máxima detém o poder supremo no Irã, atuando como comandante-em-chefe das forças armadas e decidindo sobre os rumos da política externa, definida em grande parte pelo confronto com os Estados Unidos e Israel.
O aiatolá Alireza Arafi foi nomeado como membro jurista do Conselho de Liderança do Irã, órgão encarregado de desempenhar as funções do líder supremo até que a Assembleia de Peritos eleja um novo líder, informou a agência de notícias ISNA.
Membro do Conselho dos Guardiães e membro do clero, Arafi fará parte do Conselho de Liderança temporário ao lado do Presidente Masoud Pezeshkian e do Juiz-Chefe Gholamhossein Mohseni Ejei.
“Volte a recuperar o bom senso”, diz conselheiro dos Emirados Árabes Unidos ao Irã
Duas fontes americanas e um funcionário dos Estados Unidos familiarizados com o assunto disseram que Israel e os Estados Unidos programaram o ataque de sábado para coincidir com uma reunião que Khamenei estava tendo com seus principais assessores.
Fontes internas do Irã disseram que o governo buscaria imediatamente nomear um sucessor para Khamenei, a fim de sinalizar estabilidade e continuidade.
Em mais um golpe para a liderança do Irã, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi, foi morto nos ataques, informou a emissora Iran TV.
Após o Irã retaliar com ataques aéreos em toda a região do Golfo, Anwar Gargash, assessor do presidente dos Emirados Árabes Unidos, aliado dos Estados Unidos e potência petrolífera, instou Teerã a “voltar à realidade”, afirmando que a guerra não é com os vizinhos árabes do Golfo. Os Emirados Árabes Unidos têm suportado, até o momento, o maior impacto da retaliação iraniana.
Trump alertou no domingo que os Estados Unidos atacariam o Irã “com uma força nunca antes vista” caso o país retaliasse após os ataques sofridos.
“O Irã acaba de declarar que vai atacar com muita força hoje, mais forte do que jamais foi atacado antes”, disse Trump em uma publicação no Truth Social.
Ele acrescentou: “É melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista.”
Irã promete “golpes aterrorizantes”
Em declarações dirigidas a Trump e ao seu aliado próximo, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, disse: “vamos atacá-los com golpes tão terríveis que vocês mesmos serão obrigados a implorar”.
“Digo a Trump e Netanyahu e aos seus agentes e representantes, repito, digo a esses dois criminosos imundos e a todos os seus agentes: vocês cruzaram nossa linha vermelha e devem pagar o preço por isso.”
O centro de segurança marítima de Omã informou que o petroleiro Skylight, com bandeira de Palau, foi atacado a cerca de cinco milhas náuticas da costa de Musandam, em Omã. Quatro pessoas ficaram feridas e toda a tripulação, composta por 20 pessoas, foi evacuada.
Khamenei, que frustrou as ambições de vários presidentes moderados eleitos ao longo das décadas, tinha seguidores entre outros xiitas fora do Irã, em países como o Iraque e o Paquistão, que possuem as maiores populações xiitas depois do Irã.
O principal clérigo xiita do Iraque, o Grande Aiatolá Ali al-Sistani, expressou condolências pelo assassinato de Khamenei e instou os iranianos a manterem a união diante dos ataques.
*Com informações de CNN

