O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) avaliou como histórica a participação do país nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, realizados nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo. Em comunicado divulgado neste domingo (22), a entidade destacou a conquista da primeira medalha brasileira em uma edição do evento: o ouro de Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante do esqui alpino.
“Começamos bem, aumentando o número de participantes, aumentando o número da delegação. E fechamos literalmente com a chave de ouro, conquistando a primeira medalha olímpica do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno. E logo uma medalha de ouro”, celebrou o presidente do COB, Marco La Porta.
A edição de 2026 foi marcada por desafios logísticos, com as provas distribuídas em um raio de cerca de 400 quilômetros entre as sedes. O Brasil registrou 18 largadas em competições, superando as 15 de Albertville 1992 e as 14 de Pequim 2022. Segundo o chefe de missão do Time Brasil, Emílio Strapasson, a preparação antecipada foi fundamental para garantir o suporte aos atletas.
“A gente quando chega aqui e celebra essas vitórias não tem a noção do tamanho do trabalho invisível que existiu antes de os Jogos começarem. Para os atletas terem seus equipamentos, roupas, tudo distribuído em quatro centros diferentes eles contaram com todo o apoio do Comitê Olímpico do Brasil, sua estrutura, sua operação. Um time que pensou com muita antecedência, detalhadamente, em cada atleta, cada dificuldade, deslocamento. Precisamos agradecer demais à equipe de operações”, afirmou.
Com a estrutura assegurada, o país obteve cinco resultados entre os 20 melhores colocados: além do ouro no esqui alpino, houve 11º lugar no skeleton feminino, 14º e 19º no snowboard halfpipe e 19º no bobsled 4-man.
Após a conquista, Lucas Pinheiro Braathen ressaltou o significado da medalha. “Eu e o Brasil não estávamos aqui nos Jogos Olímpicos de Inverno só para participar. Estávamos aqui para fazer a diferença, trazer nossas cores, outra mentalidade, outra cultura e celebrar essa diversidade do Brasil e do esporte. Acho que esse ouro representa a força que existe nessa diversidade”, comentou.
No último dia de competições, a equipe do bobsled 4-man terminou na 19ª posição, melhor resultado da modalidade para o país. A prova marcou a despedida do piloto Edson Bindilatti, que disputou sua sexta Olimpíada de Inverno e anunciou aposentadoria. “A gente sabe que uma hora tem que acabar esse lado de alto rendimento. Mas o bobsled está em boas mãos, temos atletas com condições de continuar esse alto nível do Brasil”, declarou.
No skeleton feminino, Nicole Silveira alcançou o 11º lugar, o melhor resultado brasileiro na modalidade. “Fico muito feliz, foi melhor que Pequim. Significa muito mais que o 13º lugar porque o nível de competitividade dentro desses quatro anos que vieram foi muito alto”, explicou.
Entre outros resultados, o Brasil ainda registrou marcas inéditas no esqui cross-country e no snowboard, consolidando a melhor campanha da história do país em Jogos Olímpicos de Inverno.

