O tradicional “mela-mela” do bloco Os Cão já está agitando a Redinha, em Natal, nesta terça-feira de Carnaval (17). Foliões de todas as idades, de novatos a veteranos, se reúnem sob a Ponte Newton Navarro para se cobrir de lama, a marca registrada do grupo.
Ao ritmo das batucadas, os brincantes já celebram a festa do Rei Momo. A novidade deste ano é a participação da professora de artes Bárbara Cortez, de 35 anos. “Este ano quis valorizar as tradições da minha cidade e estava muito curiosa para viver essa experiência”, revela ela, que se juntou ao grupo pela primeira vez.
“É uma sensação indescritível participar dos Cão. [Sensação] de libertação. E tem o acolhimento, o carinho, a brincadeira”, Barbara define. “Já estou toda melecada. Acho que é isso, é viver, atravessar esse carnaval e valorizar o que a minha cultura tem.”
Quem também já está de “abadá” pronto é o funcionário público Rosemberg Ferreira, 52, que participa do bloco pela segunda vez. Para ele, juntar-se ao bloco “é despertar aquela dopamina. A sensação de prazer, da liberdade, da alegria e brincar com sabedoria, com muita educação, porque quem é cão não mela quem não é cão”, diz.
Já o aposentado Francisco de França Fonseca, 72, é veterano e cresceu acompanhando o bloco, desde os 12 anos. “No dia que eu não me melo no bloco da lama, pra mim não rolou”, brinca. “Quando eu não me melo, eu não me sinto bem”.
Chico do Maruim, como é conhecido, acredita no legado do bloco, que é patrimônio cultural e imaterial de Natal desde 2021. “É uma coisa que vem e não vai acabar. Começou com quatro pessoas, tem uma multidão, e a tendência é subir”.
Os Cão saíram nas ruas da Redinha pela primeira vez na terça-feira de Carnaval de 1964, tornando-se um dos símbolos da festa na capital potiguar. Melados de lama do manguezal, um grupo de amigos chamou imediatamente a atenção de quem os via. O nome veio de forma espontânea, devido à reação das pessoas, que gritavam: “Lá vai os cão”.
*Com informações de Tribuna do Norte

