Por Fernanda Sabino
Plumas e paetês, brilho e muito luxo. A alegria do carnaval abre alas para um mundo de cores e adereços. No ateliê do artista plástico Carlos Sérgio Borges, tudo se traduz em arte com um olhar atento ao gosto do seu público. “Todas querem brilho. As mulheres já brilham por si próprias, mas com mais um adereço que eu faço, elas ficam mais arrasantes, mais belas. Então, nesse ponto eu uso muito brilho, porque elas querem luxo e glamour”
Para produzir a coleção disponível para o Carnaval 2026, o trabalho começou em agosto, pesquisando, desenhando, indo para São Paulo trazer todo o material. “O meu trabalho é em cima da matemática. Não é só colar ou pregar uma pena. É todo um desenho com estética, dentro da geometria, das cores, dos traços, do formato do rosto. É uma pesquisa, é um estudo que desde agosto que eu estou desenhando, riscando, como eu faço todos os anos, para ter um trabalho de qualidade e que deixa as pessoas impactadas, muitas emocionadas”.
Esse ano, as orquídeas ganharam destaque nos adereços em composição com plumas de todas as espécies, incluindo rabo de galo, asa de avestruz, pluma de avestruz, de ganso, de cisne.
Autoditada, com décadas de experiência como artista plástico, cenógrafo, figurinista e escritor, Carlos Sérgio Borges também busca com seu talento enriquecer a cultura popular. “ Meu trabalho também tem tudo a ver com o folclore do Rio Grande do Norte, tem adereço dos galantes do Boi calemba e tem alguns cocares que lembram os caboclinhos”
Mesmo com a folia batendo na porta, ele conta que ainda tem peças exclusivas disponíveis em seu ateliê. O espaço funciona na rua Santo Antônio, 704, vizinho à Igreja do Galo, no Centro Histórico Natal. É aberto das 9h às 16h, ou mediante agendamento. Também é possível conhecer e acompanhar seus trabalhos pelo instagram @carlossergio.borges.
sustentabilidade e economia criativa

Para a artesã Suerda Medeiros, o carnaval é vitrine cultural e também uma oportunidade de fortalecer a sustentabilidade e a economia criativa. Ela destaca que o reaproveitamento de materiais se tornou parte essencial do processo produtivo, agregando valor às peças e reduzindo custos, sem perder o impacto visual.
“Sobretudo esse momento, o carnaval está na porta e a gente sabe que é um momento cultural a nível de mundo. E como a gente vem falando muito sobre a questão da sustentabilidade, reaproveitar tudo que pode encher os olhos é algo gigante para nós, porque a gente também está deixando o outro feliz, confortável e à altura de muitos momentos que vai realizar agora nesse carnaval”, observa.
Ela também reforça que criatividade vale mais do que preço e pode ampliar o faturamento.
“O luxo do carnaval hoje não está no preço do material que a gente quer tanto consumir. Mas na criatividade de como você representa. Com isso, sem sombra de dúvida, você consegue adquirir um faturamento incrivelmente além do que você imaginava. Então, somando todas essas ideias, o que você vai entregar para o público, pensando sempre no melhor, na questão da sustentabilidade, você tem um produto cultural e incrivelmente belíssimo para apresentar”, diz.
Segundo a artesã, como a produção é iniciada meses antes, a renda cresce significativamente no período momesco.
“Então posso dizer que a minha renda aumenta consideravelmente nesse período, tendo em vista que a gente começa já a produzir, eu no caso em outubro. Porque como nós temos muitos bloquinhos, nós divulgamos intensamente nas redes sociais e as pessoas conhecem a qualidade do nosso produto, a tendência de se vender nesse período triplica para a gente que é artesão, conclui.
O trabalho de Suerda Medeiros também pode ser acompanhado nas redes sociais. No Instagram, ela divulga as coleções, os bastidores da produção e as novidades para o carnaval por meio do perfil @suerdaitala, onde apresenta peças autorais que unem criatividade, brilho e sustentabilidade.

