O andamento dos trabalhos da CPI do Crime Organizado trava o avanço de investigações relacionadas ao caso Master contra familiares dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
É no colegiado que o senador Alessandro Vieira (SE) apresentou uma série de requerimentos pedindo a convocação e a quebra de sigilo, por exemplo, dos irmãos de Toffoli, que foram proprietários do resort Tayayá, e de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Os irmãos de Toffoli receberam recursos de Fabiano Zettel, alvo da Polícia Federal nas investigações sobre o Master, em uma negociação envolvendo o resort, frequentado pelo ministro. Já a esposa de Moraes fechou um contrato de R$ 129 milhões com o Master.
Nenhum desses requerimentos, e outros envolvendo o caso Master, porém, puderam ser apreciados nesta semana porque o presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), não convocou sessão.
Municiado pela determinação da Presidência do Senado de que as sessões antes do Carnaval poderiam ocorrer de forma semipresencial, a opção do petista foi não reunir o colegiado. Com isso, os requerimentos também não puderam ser apreciados.
Além de Contarato, a CPI também tem na composição os líderes do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e do PT no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE).
Segundo senadores que acompanham os trabalhos da CPI do Crime Organizado, uma “operação abafa” foi colocada em curso para que nada relacionado ao caso avançasse, justamente para esfriar o assunto.
Foi a segunda semana seguida em que a presidência da CPI optou por não convocar sessão. Na semana passada, havia a previsão de que comparecessem à CPI o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e o do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Mas a sessão não foi convocada.
A leitura de senadores é de que haverá dificuldades para aprovar os requerimentos justamente porque a comissão é presidida pelo PT, e não há sinais, ainda, de que Contarato irá pautar os requerimentos.
Além disso, a CPI do Crime Organizado nunca foi testada com requerimentos sensíveis e, ainda que Contarato os paute, a composição deixa o quadro indefinido. Em tese, há maioria para aprovar, mas, como parte dos integrantes é do centrão, a maioria pode pender para a rejeição ou mesmo haver trocas de vagas para formar uma maioria contrária que opere para barrar os requerimentos.
*Com informações de CNN

