NOVENIL BARROS: FAZER DO TERRITÓRIO UMA LINGUAGEM ESTÉTICA
O ARTISTA E O TEMPO
Há artistas que não produzem apenas obras; produzem permanências. Novenil Barros pertence a esse grupo raro. Sua trajetória não se explica apenas pelo tempo, embora sejam mais de 48 anos dedicados às artes visuais, mas pela densidade simbólica construída ao longo de décadas, costurando memória, território e inquietação estética. Sua obra não se submete às modas; atravessa períodos, amadurece com eles e permanece em estado de questionamento. Nascido em Ceará-Mirim, no dia 12 de dezembro de 1958, Novenil começou cedo. Filho de Nicolau Agripino de Barros e Geralda Batista de Barros. Aos nove anos, Novenil já desenhava e pintava, como quem pressente que o mundo precisa ser traduzido antes que se perca. Esse gesto inaugural nunca foi abandonado: observar o cotidiano, recolher seus signos mais simples e devolvê-los ao público carregados de sentido.
INFÂNCIA, MEMÓRIA E CULTURA POPU LAR
A arte de Novenil nasce da escuta atenta do lugar. Escuta da cultura popular, das paisagens humanas do Rio Grande do Norte e do Nordeste brasileiro. Seus trabalhos ressignificam tradições sem aprisioná-las ao passado, transformando lembranças coletivas em matéria viva de criação.
Memória, em sua poética, não é nostalgia nem ornamento. É elemento estrutural, força ativa que organiza cores, formas e símbolos do cotidiano. O artista transforma experiências individuais em narrativas compartilhadas, fazendo da obra um espaço de reconhecimento e pertencimento.
LINGUAGENS, MATERIAIS E INQUIETAÇÃO
Inquieto por natureza, Novenil nunca se acomodou em fórmulas fáceis. Sua produção atravessa pintura, desenho, instalação e linguagens híbridas, sempre tensionando fronteiras: entre tradição e inovação, entre ancestralidade e contemporaneidade, entre passado e presente. Há um rigor silencioso em seu processo criativo. O gesto do fazer manual, a escolha dos materiais e a construção simbólica das formas revelam um artista que pensa cada obra como decisão estética e ética. Nada é gratuito. Cada cor, cada textura, cada elemento visual carrega um posicionamento diante do mundo e da arte.
O PAPEL INSTITUCIONAL E A CURADORIA
Essa postura crítica também se manifesta em sua atuação institucional. Além de artista, Novenil é curador e esteve à frente, por diversas gestões, da Pinacoteca do Estado. Não como gestor distante, mas como alguém que compreende o espaço expositivo como território de diálogo, formação e fricção.
Sua passagem pela Pinacoteca contribuiu para fortalecer o espaço como ambiente vivo, atento à produção local e aberto às múltiplas narrativas da arte potiguar. Sua atuação reafirma a importância das instituições culturais como agentes ativos na preservação da memória e no estímulo à criação contemporânea.
ARTE, TERRITÓRIO E PERMANÊNCIA

O eixo central de sua obra permanece claro: valorizar a cultura e as paisagens humanas do Nordeste sem folclorizações fáceis ou exotismos confortáveis. Novenil transforma elementos simples em manifestações de beleza, resistência e identidade, convidando o espectador a revisitar raízes culturais e refletir sobre os caminhos da arte como instrumento de transformação social.
Suas exposições frequentemente criam ambientes imersivos, capazes de envolver o público em experiências estéticas e emocionais profundas. Mais do que apresentar objetos artísticos, ele propõe encontros, entre arte, comunidade e território. Em tempos de consumo rápido de imagens e superficialidade estética, sua obra insiste na permanência. E insistir, hoje, é um gesto profundamente de manutenção das raízes estéticas e simbólicas.

