Por Carol Ribeiro
Os principais nomes da oposição ao governo de Fátima Bezerra (PT) na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos) e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), têm adotado como centro de suas pré-campanhas o discurso de que o Estado enfrenta uma situação fiscal grave e que a atual governadora deixará uma “herança difícil” para o próximo gestor. No entanto, dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) sobre a gestão fiscal dos dois gestores mostram crescimento do endividamento, tanto na Prefeitura de Natal, quanto em Mossoró. Os números contrastam com o discurso utilizado pelos gestores.
Informações disponibilizadas pela gestão Álvaro Dias ao TCE à frente da Prefeitura do Natal indicam um crescimento expressivo do endividamento municipal ao longo de seu mandato, o que tem sido utilizado por aliados do governo estadual como contraponto às críticas dirigidas à administração de Fátima Bezerra.
De acordo com os Relatórios de Gestão Fiscal, em abril de 2018, quando Álvaro assumiu a Prefeitura do Natal, a dívida consolidada reconhecida do município era de R$ 502.556.179,49. Ao final de sua gestão, com a posse do atual prefeito Paulinho Freire (UB), esse valor chegou a R$ 1.214.112.285,63, representando um aumento nominal superior a R$ 700 milhões em cerca de seis anos.
A Dívida Consolidada Líquida (DCL) é um indicador fiscal que mostra quanto um governo deve, depois de descontar o que ele tem em caixa ou a receber no curto prazo. O índice, além de medir o nível real de endividamento, avalia a capacidade de pagamento.
Já o relatório da gestão fiscal da Prefeitura de Mossoró aponta que Allyson Bezerra recebeu o cargo em 2021 com dívida consolidada de R$ 233.266.818,17. Já em dados atuais do relatório, até outubro de 2025, a dívida consolidada está em R$ 610.639.267,27. Allyson Bezerra vai entregar a cadeira do Executivo Municipal ao seu vice, Marcos Medeiros (PSD), com aumento de quase R$ 400 milhões na dívida de Mossoró. O valor exato é de R$ 377.372.449 de ampliação do débito durante quase seis anos da gestão Allyson.
O governo Fátima Bezerra tem argumentado que herdou um Estado com graves desequilíbrios financeiros, atraso de salários e comprometimento elevado da receita com despesas obrigatórias, e que, apesar das dificuldades, promoveu reorganização administrativa, retomada de investimentos e regularização de pagamentos.
Conforme publicado pelo Diário do RN, o aumento de cerca de R$ 2 bilhões em quase oito anos de Governo, se devem ao contexto econômico influenciado pela inflação acumulada no período, de 15%, dívidas com precatórios e o crescimento da folha de pessoal.
Nesse contexto, o discurso de “herança fiscal” utilizado por Álvaro Dias e Allyson Bezerra, que tende a ser o principal tema da campanha eleitoral, perde força quando confrontado com os resultados de sua própria gestão municipal.

