O futuro do Maior Cajueiro do Mundo, um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte, está no centro de um intenso debate. Uma decisão judicial de 2024 determinou que a árvore centenária, localizada na praia de Pirangi, em Parnamirim, passe por uma poda a partir de agosto deste ano. A medida, que atende a um pedido antigo de moradores e comerciantes, gera um confronto de opiniões entre a necessidade de manejo e o risco de danos irreversíveis à planta.
Atualmente, o cajueiro, com seus quase 10 mil metros quadrados, excede em 1.200 metros a sua área cercada, com galhos avançando sobre ruas, casas e comércios. Para resolver a questão, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) prevê um investimento de R$ 200 mil em um processo que pode levar até seis meses.
O futuro da árvore foi tema de uma audiência pública na Câmara Municipal de Parnamirim na manhã desta terça-feira (8), com outra reunião prevista para a tarde. Somente após as discussões e uma análise técnica final, o Idema enviará um parecer à Justiça para definir a extensão do corte.
A defesa da poda: segurança e saúde da planta
O Idema e especialistas da área agronômica defendem a poda como uma intervenção necessária e segura. Thales Dantas, diretor técnico do órgão, afirma que a árvore nunca passou por uma poda de contenção, apenas por cortes de “manejo higiênico” para remover pragas.
“O governo não está matando o cajueiro, muito pelo contrário. Essa poda é necessária para cuidarmos e preservarmos a árvore, porque hoje, sem esse cuidado, pode acabar batendo um carro, causar problemas nos galhos”, argumentou Dantas. Ele garantiu: “O Cajueiro de Pirangi vai continuar sendo o maior do mundo, independentemente da poda”.
O engenheiro agrônomo Marcelo Gurgel reforça a tese, explicando que a prática é comum e segura. “O cajueiro é uma planta que suporta muito bem poda. Tecnicamente, é viável e não apresenta nenhum risco para a vida do cajueiro. Pelo contrário, é para melhorar a saúde da planta”, defendeu.
O receio: risco de envelhecimento e morte
Do outro lado, especialistas em biologia e moradores locais expressam grande preocupação. Eles acreditam que a poda pode interferir no processo que torna o cajueiro único.
A bióloga Mica Carboni, que já trabalhou no local, classifica a poda como uma potencial “catástrofe”. Ela explica que o crescimento extraordinário da árvore se deve à sua capacidade de criar novas raízes quando os galhos tocam o solo, um processo que rejuvenesce a planta mãe.
“Essa poda pode limitar o crescimento, pode atrofiar ele, pode gerar o envelhecimento acelerado”, afirmou. Segundo a bióloga, esse enraizamento contínuo libera “hormônios de muda” que permitem a uma árvore de quase 140 anos continuar frutificando, algo que um cajueiro comum só faz até os 50 anos. “Uma rua, casas, pode se construir em qualquer lugar. O maior cajueiro do mundo, só existe ele”, defendeu.
O corretor de imóveis Francisco Cardoso, morador da região, compartilha do temor. “A partir do momento que a poda tirar quase 1000 metros, ele vai estar propício para a entrada de brocas, fungos e bactérias, trazendo até atrofiamento de galhos. Se não tiver muito cuidado, leva à morte do cajueiro.”
*Com informações G1 RN

