A Marinha do Brasil (MB), por meio do Comando do 3º Distrito Naval, coordenou uma Operação de Busca e Salvamento (SAR – Search and Rescue) do Navio-Tanque (NT) “NW AIDARA”, que estava à deriva há quase dois meses, entre a área sob responsabilidade do Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo (MRCC – Maritime Rescue Coordination Center) de Dakar, na África Ocidental, e da área sob responsabilidade do MRCC do Brasil.
Na tarde do dia 25 de fevereiro, a equipe do Salvamar Nordeste recebeu a informação de que um navio, de bandeira de TOGO, estava sem propulsão e à deriva, desde o dia 5 de fevereiro, em decorrência de uma falha no sistema hidráulico, fora da área SAR brasileira.
O NT “NW AIDARA”, com tripulação composta por 11 pessoas, teve sua mangueira hidráulica rompida, principal causa do vazamento de óleo hidráulico e dos danos à engrenagem de acionamento do leme, comprometendo o controle do rumo do navio, que se deslocou à deriva, de forma contínua, até entrar na área de Busca e Salvamento marítimo sob a jurisdição do Brasil, especificamente no âmbito de responsabilidade do Salvamar Nordeste.
Para cumprir o compromisso internacional de salvaguardar a vida humana no mar, o Serviço de Busca e Salvamento brasileiro foi acionado assim que o NT “NW AIDARA” entrou na área de responsabilidade do Salvamar Nordeste, aproximadamente 675 milhas náuticas (1.250 quilômetros) da costa brasileira.
Exercendo a coordenação da Operação, o Salvamar Nordeste contou com uma estrutura formada por meios operativos da MB, além de manter o acompanhamento do tráfego marítimo por meio do Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo (SISTRAM V), a fim de monitorar a movimentação de navios nas proximidades do NT “NW AIDARA”, que, sob a orientação do MRCC – Natal, participaram do socorro, estabelecendo comunicação e fornecendo mantimentos e água à tripulação do navio africano. Simultaneamente, a Capitania dos Portos do Ceará coordenava a comunidade marítima local.

O navio estrangeiro, além de avariado e com escassez de alimentos, estava sem comunicação satelital e via rádio High Frequency (HF – comunicação de maior alcance e independente de satélite). A única forma de contato com o navio era por Very High Frequency (VHF), ou seja, sendo possível apenas receber informações de navios próximos.
No dia 1º de março, orientado pelo Salvamar Nordeste, o Navio Mercante “YK NEWPORT” aproximou-se do NT “NW AIDARA”. Ao estabelecer comunicação e após realizar um atendimento de telemedicina para saber sobre o estado de saúde da tripulação, o “YK NEWPORT” informou que a tripulação do navio africano estava bem e que tentaria fabricar uma nova engrenagem de acionamento a bordo para concluir o reparo por conta própria.
O comandante do navio avariado informou que, caso a tripulação não conseguisse concluir o reparo até o dia 8 de março, entraria em contato com o MRCC do Brasil para solicitar assistência.Além de o contato não ter acontecido, a avaria não foi solucionada. O navio africano, que estava sendo acompanhado permanentemente pelo MRCC-Natal, derivava em direção ao nordeste brasileiro, com possibilidades reais de encalhe, risco à vida humana no mar, e o potencial impacto ambiental decorrente da natureza da carga transportada por esse tipo de navio. Fatores fundamentais que reforçaram a importância da Operação.
Sem receber comunicação do NT “NW AIDARA”, no prazo estipulado pelo comandante do navio à deriva, o Salvamar Nordeste enviou, no dia 9 de março, o Navio-Patrulha Oceânico “Araguari” (NPaOcAraguari) para interceptação ao NT “NW AIDARA”, a fim de estabelecer comunicações, avaliar o estado da tripulação e, caso necessário, prestar apoio com suprimentos às vidas que se encontravam no navio.
Ao mesmo tempo, a Corveta “Caboclo”, pertencente ao Comando do 2º Distrito Naval, designada para compor a estrutura SAR do Salvamar Nordeste, saiu de Salvador (BA) e chegou em Fortaleza (CE) para seguir em direção ao navio africano. Alguns dias depois, o Navio Rebocador de Alto-Mar “Triunfo”, subordinado ao Comando do 3º Distrito Naval, desatracou do porto de Natal (RN), com o objetivo de realizar o salvamento do navio estrangeiro.
“O Serviço de Busca e Salvamento tem como objetivo prioritário resgatar a vida que se encontra em risco no mar. Adicionalmente, é relevante, também, salvar a embarcação para que a sua condição de deriva não comprometa a segurança da navegação”, declarou o Encarregado da Seção de Operações do Comando do 3º Distrito Naval, Capitão de Fragata Marcos Moreira Bezerra.
Há quase dois meses à deriva, o NT “NW AIDARA” chegou ao Porto de Fortaleza (CE), na manhã do dia 27 de março, conduzido pelo Navio Rebocador de Alto-Mar “Triunfo”, com a tripulação em segurança, finalizando mais uma Operação de Busca e Salvamento.

